Bem a propósito da passagem do 'Tour Nado' Gazua pelo Algarve já este fim-de-semana, com actuações hoje em Faro e amanhã na Fnac do Algarve Shopping (Guia, Albufeira) e em Portimão (ver cartaz acima), para promoção do mais recente trabalho da banda, Contracultura (amplamente tratado aqui no A Crack in the Cloud), aqui fica o videoclip do excelente tema "Preocupa-te", recentemente disponibilizado na rede.
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11 fevereiro 2011
24 junho 2010
Festa de Lançamento de Contracultura (GAZUA): Foto-reportagem
Fotos dos Gazua da autoria de José Dinis.
A festa de lançamento de Contracultura, o terceiro álbum de originais dos Gazua, dificilmente podia ter sido melhor e constituirá decerto, pelo menos para os presentes, um dos acontecimentos musicais de 2010.
A festa de lançamento de Contracultura, o terceiro álbum de originais dos Gazua, dificilmente podia ter sido melhor e constituirá decerto, pelo menos para os presentes, um dos acontecimentos musicais de 2010.
A noite estava esplêndida, e o ambiente no arejado, moderno e descontraído lounge do cinema São Jorge era de alegria e convivialidade.
A partir das 23h, e a antecipar a performance dos Gazua, o DJ Billy deu início à sua sessão, com uma selecção musical muito diversificada e num registo relativamente calmo. Da semi-obscuridade da sala destacava-se o admirável cenário da autoria de João Morais. A sala foi-se gradualmente enchendo e estava já bastante composta quando, por volta das 23.40h, se percebeu que o espectáculo estava prestes a começar.
A música ambiente cessou, dando lugar a uma interessante peça da autoria do DJ Billy que funcionou na perfeição como introdução à entrada dos Gazua. A peça consistiu numa sequência de trechos de músicos/bandas que primaram (ou primam) por uma postura/mensagem oposicional ou contracultural (tais como como Patti Smith, Dead Kennedys, Censurados, 77, Carlos Paredes/Miguel Leiria e R12), intercalados por estática de rádio, e criou eficazmente um ambiente de concentração e expectativa, estando ainda em total sintonia com o espírito desta banda.
Foi no final desta peça, e sob os aplausos da assistência, que o power trio João ‘Corrosão’, Paulinho e Corvo entrou em palco, e deu início ao que viria ser a segunda surpresa da noite (a primeira fora, sem dúvida, a original peça de DJ Billy): um texto de João Morais, “Até Quando Vamos Esperar”, declamado pelo próprio, com fundo instrumental (bateria e baixo), num registo poético mas simultaneamente de interpelação social e política, em consonância com as ideias orientadoras deste Contracultura.
Foi de facto um dos momentos marcantes do espectáculo, que continuou, em crescendo, com as novas faixas “Casa dos Fantasmas”, “Perigo Eminente” e “Preocupa-te”. De referir a adesão imediata e resposta entusiástica do público, em grande parte conhecedor da discografia dos Gazua (incluindo os temas do novo trabalho já disponíveis no site da banda no myspace).
Seguiram-se “Ouvi Falar de Ti”, “Reescrever a História”, “Revolta” e “Sair da Escuridão”.
Foi com alguma surpresa que testemunhámos a aceitação quase imediata e a resposta francamente positiva ao excelente mas bastante experimental e algo sui generis “Chamando Urano”, o que indicia uma flexibilidade e eclectismo crescentes por parte do público musical. Seguiram-se-lhe “A Mudança Que Queres Ver”, sem dúvida um dos temas fortes do novo trabalho, e “Ela era Agonia”.
“Morreu o coveiro”, a faixa de punk rock simples e límpido interpretada pelo baixista Paulinho foi também visivelmente apreciada pelo público, que a recebeu com entusiasmo e bastante efusão.
Nova surpresa estava reservada com o tema “Queremos a Música de Volta”, em que o trecho “temos de experimentar coisas novas” foi seguido de uma inesperada performance dramática de Andrea Inocêncio, intitulada "33 Crucificação-Acção", uma figura feminina crucificada entra em cena, desperta de um sono profundo e, parcialmente desnudada, liberta-se das cordas que a aprisionam, descendo do palco e colocando-se no meio da assistência que (decerto após alguma orientação) começa a escrever no seu corpo.
De leitura pouco óbvia, este inesperado happening causou impacto, impressionou pela atitude de abnegação e de entrega incondicional aos outros, eficazmente dramatizada pela actriz/performer, e constituiu sem dúvida mais um elemento distintivo deste espectáculo dos Gazua. Contudo, talvez tenha pecado pela duração excessiva e por desviar a atenção do público daquele que era o foco central do evento, ou seja, a actuação da banda.
Decorrida cerca de 1 hora, e depois de “Vontade de Gritar” e “Para Todos”, dois dos temas mais fortes da banda, entusiasticamente recebidos (e correspondidos) pelo público, o espectáculo terminou da melhor forma, com o emblemático “Fazia Tudo Outra Vez”.
A festa continuou no lounge do São Jorge, com uma animada sessão de punk rock preparada pelo DJ Billy, e com os membros dos Gazua, muitos dos seus amigos e fãs em alegre confraternização, e só acabou mesmo (a contragosto) por volta das 2 da manhã, com o encerramento do espaço.
Os Gazua estão de facto de parabéns, em primeiro lugar pela produção de um novo trabalho de alto nível, e também pelo sucesso desta original festa de lançamento, criteriosamente pensada e preparada e generosamente oferecida a todos os que nela quiseram e escolheram participar.
Fica o vídeo de "Fazia tudo outra vez" enquanto esperamos pelos registos do novo trabalho...
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15 junho 2010
Uma análise de "Contracultura", o novo trabalho dos Gazua
A poucos dias do lançamento de Contracultura, o terceiro álbum de originais dos Gazua, agendado para a próxima sexta-feira, 18 de Junho, às 23h no Cinema São Jorge em Lisboa, o A Crack in the Cloud avança aqui uma análise pessoal deste trabalho.
Impõe-se desde logo um 'aviso à navegação': o texto que se segue não é uma review musical no sentido comum, mas sim uma análise crítica deste trabalho, fundamentalmente na sua vertente cultural e não estritamente musical.
O A Crack in the Cloud desde já recomenda a leitura da excelente review ao álbum da autoria de Billy, disponível no blog Billy-News. Para ler esta review clicar aqui.
Impõe-se desde logo um 'aviso à navegação': o texto que se segue não é uma review musical no sentido comum, mas sim uma análise crítica deste trabalho, fundamentalmente na sua vertente cultural e não estritamente musical.
O A Crack in the Cloud desde já recomenda a leitura da excelente review ao álbum da autoria de Billy, disponível no blog Billy-News. Para ler esta review clicar aqui.
O último trabalho dos Gazua, Contracultura, é como que um espelho de nós próprios, um misto de contrastes e dicotomias: é simultaneamente uma brisa fresca e um furacão, embala-nos e sacode-nos, arrebata-nos e ao mesmo tempo confronta-nos com o nosso eu mais interior, com os nossos fantasmas, com o nosso comodismo, individualismo, alienação, passividade e responsabilidade pelo actual estado de coisas…Ao mesmo tempo, contudo, mostra-nos que não estamos sós no nosso descontentamento e impotência, e que o caminho da mudança passa por alterações profundas, tanto a nível individual como colectivo: por uma verdadeira “cultura alternativa”!
Contracultura é um trabalho mais rico e complexo do que os anteriores Convocação (2008) e Música Pirata (2009), tanto em termos musicais como de mensagem. Contém por isso faixas de um rock fácil, rápido e catchy, que se ouvem num fôlego só, a par de outras mais trabalhadas e experimentais, que exigem uma audição mais aprofundada e uma maior flexibilidade - do ouvido e da mente.
O álbum mostra-nos igualmente um colectivo mais maduro e muito bem sintonizado, com uma identidade própria que, apesar de já bem visível nos trabalhos anteriores, se revela aqui de forma muito mais vincada e segura, não só ao nível da produção colectiva como da criatividade e das especificidades individuais. Este trabalho destaca-se ainda pela qualidade (literária) das letras, assim como pelo design elaborado e conceptual, ambos da autoria de João Morais (ver entrevista em posts anteriores).
“A mudança que queres ver” é simplesmente arrebatadora, e confronta-nos, sem dó nem piedade, com a superficialidade que cultivamos dentro de nós e nas nossas relações com os outros, assim como com a apatia e indiferença com que nos escudamos das dificuldades, complexidade e problemas do mundo em que vivemos. Contudo, dado que cada um de nós é parte integrante desse mesmo mundo, a responsabilidade da mudança tem de ser assumida activamente:
“(…) E corres! corres! / mas não podes fugir / tens de te tornar na mudança que queres ver”.
“Preocupa-te”, o segundo tema do álbum, com um ritmo igualmente rápido e contagiante, concretiza um pouco mais as facetas que a mudança individual deve assumir, apelando à necessidade de maior atenção, reflexão crítica e envolvimento com o mundo em que vivemos e com aqueles que o partilham connosco.
“Preocupa-te com o facto de não teres dinheiro / se trabalhas sem parar o ano inteiro / preocupa-te se alguém não sabe ler nem escrever / num mundo já de si traiçoeiro”.
Simplesmente vertiginoso, “Ele Já Não Respira” retoma, num registo poético, uma temática já abordada em trabalhos anteriores (por exemplo em “Por Outro Lado”, Música Pirata), nomeadamente a dos sem-abrigo: pessoas comuns cujos projectos de vida falharam e para quem a sociedade continua a não ter resposta, deixando-os à mercê da degradação, dos elementos e da caridade de alguns.
“Deste tudo o que tinhas para dar / A vida parou num beco sem saída / Submerso numa poça tentaste-te levantar / Ele já não respira!”
Em “Mais Significado” o ritmo abranda, mas não o olhar clínico social, que se dirige implacável ao consumismo desenfreado que aliena, aprisiona e eficazmente neutraliza a consciência crítica, a mobilização colectiva e o seu indubitável potencial de oposição e de mudança. A letra apela por isso à capacidade de recusarmos as falsas promessas do consumismo capitalista, e de procurarmos satisfações e recompensas mais sólidas noutras esferas, talvez das relações humanas, e de actividades não monetizadas:
“Há mais na vida e mais verdadeiro/ Que não se vê e não custa dinheiro”.
“Morreu o Coveiro” oferece-nos um momento fugaz de escapismo, transportando-nos para os ambientes lúgubres do romance gótico, e para a figura solitária, singular e marginal do coveiro, que vive o dia-a-dia numa espécie de limbo entre o mundo dos vivos e dos mortos, até ele próprio sucumbir… Esta música tem a particularidade de ter letra e voz do baixista Paulinho.
“Chamando Urano” é talvez o tema mais experimental do álbum, num registo mais lento e que convida à introspecção. É um lamento desencantado perante a violência, o ódio, a falsidade, a discórdia e a ganância inescrupulosa do mundo actual, e a decisão da fuga para um planeta distante, por mais inóspito que seja à vida humana…
“Perigo Eminente” traz-nos de volta à ‘Gazualand’ do rock límpido, melódico e acelerado, e à temática já familiar dos borderliners, pessoas - reais, que todos conhecemos ao longo das nossas vidas - cuja rebeldia e intensidade assumem por vezes contornos patológicos, precipitando a sua auto-destruição…
“Corpo Oco” traz ao de cima a preocupação dos Gazua com a história recente do país. Ao ouvi-lo, relembramos o regime ditatorial que marcou (e marca ainda…) indelevelmente os destinos e a identidade nacional. Aproveitando a margem interpretativa que o tema permite, escolhemos lê-lo como uma recusa e denúncia das tentativas persistentes de branquear o fascismo e de reabilitar esse homem tenebroso e facínora que foi Salazar:
“Uma pele suja num corpo oco / E ver-te cair soube-me a pouco”.
“Divagueando” é um interessante exercício instrumental, e constitui mais um ‘corte’ neste álbum marcado pela exploração de vários caminhos sonoros.
“Casa dos Fantasmas” recupera o registo mais melódico, escorreito e acelerado ‘tipicamente Gazua’.
“Nunca Estou Satisfeito” surpreende-nos pela sua improbabilidade: um tema rápido, fresco e leve que nos fala (com algum humor) da insatisfação permanente que caracteriza a natureza humana. Uma escolha estranha para terminar um álbum que se caracteriza essencialmente pela densidade reflexiva…
… E eis que surge então, de forma surpreendente e inesperada, “a cereja no topo do bolo”: após o término da música, um silêncio longo e pesado dá lugar a uma faixa escondida, intitulada “A Minha Droga”. É uma música profundamente sombria e intimista, quase arrepiante, dominada pelo lamento de uma guitarra eléctrica a abafar uma voz off que, num registo poético e filosófico, sintetiza algumas das principais ideias que perpassam não só este Contracultura, como a obra feita dos Gazua: o descontentamento perante o mundo actual, e a premência de redescobrir e implementar, individual e colectivamente, uma cultura humanista cívica e democrática (com raízes históricas milenares) que nos conduza a formas mais justas e igualitárias de vivência comum.
“A minha droga são pessoas / fortes e decididas / que não baixaram a cabeça / não se deram por vencidas / esmurraram as mesas / marcaram posições / perderam gotas de sangue / à procura de soluções (…)”.
Em suma: Contracultura é indubitavelmente uma amostra concentrada do melhor que o rock pode oferecer no mundo do século XXI. Em termos de sonoridade, proporciona-nos uma experiência musical plena e enriquecedora, mas de alguma exigência interpretativa, requerendo concentração e flexibilidade q.b.
Em termos de conteúdo, Contracultura é um verdadeiro survival kit para enfrentarmos o quotidiano difícil numa sociedade hiper-capitalizada, desorientada, alienada, em que a falência de um sistema económico putrefacto desde a nascença precipita e agudiza muitas das suas consequências nefastas: a desigualdade e a injustiça, a miséria e a desumanização a todos os níveis (político, económico, social e cultural). É também um abanão violento que nos impele a uma mudança interior e de atitude perante os outros e perante o mundo, e que terá de constituir o primeiro e imprescindível passo para a mudança e melhoria dos destinos individuais e colectivos.
Para adquirir o Contracultura (ou os trabalhos anteriores da banda), basta visitar o site dos Gazua no myspace e seguir as indicações fornecidas.
Fica o convite original dos Gazua para a festa:
GAZUA | MySpace Music Videos
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10 junho 2010
Entrevista a João Morais (Gazua) - 2ª Parte
O que é que as pessoas em geral, e os apreciadores de Gazua em particular, podem esperar deste novo trabalho, Contracultura, em termos musicais (continuidades/rupturas e inovações)?
A continuidade estará sempre lá, pois somos os mesmos 3 músicos, tocamos os mesmos instrumentos e continuamos os 3 de cabeça dura!
Inovações e rupturas haverá sem dúvida... a nossa música é de e para pessoas de mente aberta. Não há preconceitos! O estado de espírito muda e com isso muda a composição. Se há coisas que não são bem-vindas são barreiras criativas.
Gostei de ouvir dizer que o Contracultura é um disco à "gazua", o que quer dizer que existe um cunho nosso.
O vosso pendor crítico e de intervenção torna-se mais explícito e omnipresente no trabalho que está aí a ‘rebentar’. Queres explicar o título (e talvez do conceito orientador) do álbum, Contracultura? É um conceito com uma grande carga histórica…
De forma sucinta, Contracultura foi o nome dado a um movimento que atravessou os anos 60, incidindo particularmente nos EUA mas também na Europa (França com o Maio de 68 e na Checoslováquia com a Primavera de Praga também em 68), onde se viveram anos de muita contestação social levada a cabo por jovens que se mobilizaram para questionar e criticar os valores culturais vigentes.
Tabus como o racismo, a corrupção, a guerra e os direitos das mulheres ou os direitos civis de uma forma geral, são alguns exemplos das motivações que geraram estes movimentos.
Gostei da ideia, li um excelente livro sobre o assunto e achei o tema ideal para explorar no novo trabalho.
De que forma é que o conceito de contracultura é desenvolvido no álbum (nas temáticas abordadas e também graficamente)?
O disco tem um design muito inspirado nos flyers que se usavam há uns anos para passar informação.
Tem um poster com uma série de personalidades que criaram pontos de mudança ao longo dos tempos, desde o Voltaire em França no séc. XVIII com a defesa das liberdades civis e religiosas, ao Michael Moore e os seus filmes que denunciam alguns podres da sociedade americana. São tudo pessoas que tentam criar os tais pontos de mudança.
O disco vem acompanhado ainda de um patch para coser numa peça de roupa, uma palheta para tocar, um pin para colocar num casaco ou mala e um autocolante para colar em qualquer lado, sendo tudo junto uma espécie de "Kit" para esta nova Contracultura.
(Imagem disponível em http://www.myspace.com/gazua)
Vários temas deste novo trabalho – por exemplo “A Mudança que Queres Ver”, ou “Preocupa-te”, já disponíveis no vosso site do myspace - apelam à necessidade (e à urgência) de uma tomada de consciência e participação individual activa na transformação social...vocês consideram-se herdeiros e representantes na sociedade actual da tradição da música de intervenção? Ela ainda faz sentido hoje/é necessária?
O facto de ter havido um regime Fascista em Portugal não justifica que apenas nessa fase tivesse havido contestação. Hoje não temos o Fascismo, mas temos o Capitalismo, que é um inimigo também perigoso, mas muito mais "matreiro". Não se mostra com tanta clareza.
Para terminar, gostava que levantasses a ponta do véu relativamente ao que poderemos esperar da festa de lançamento do álbum, já no próximo dia 18 no S. Jorge…
A música de Intervenção é isso mesmo... inspira a Intervenção e isso tem que fazer parte do nosso dia-a-dia.
Sim, a consciência histórica é outra das características bem visíveis no vosso trabalho. Têm temas dedicados a momentos e a figuras importantes da nossa história… Raymond Williams, um teórico social e cultural britânico, afirma que “a história ainda nos mostra a maior parte do passado conhecível e todo o tipo de futuro imaginável”. É também esta a tua/vossa visão? É por isso que a história recente está tão presente no vosso trabalho?
Uma opinião não se pode construir apenas pensando no presente e olhando para o futuro. Tem que ter as suas fundações também no passado. É como um alicerce.
A maior riqueza de um país está na sua identidade cultural, é aí que se cria um elo entre o seu povo. Claro que há sempre coisas boas e coisas más, mas teremos que saber usar os exemplos bons e não repetir os exemplos maus.
Um dos problemas que sinto que temos é que de repente há uma nova geração em que as suas (poucas) referências vêm todas de fora e por isso acabam por desprezar o seu próprio país não sentido qualquer vontade de lutar por ele numa perspectiva de intervenção política, deixando o país à deriva.
Para terminar, gostava que levantasses a ponta do véu relativamente ao que poderemos esperar da festa de lançamento do álbum, já no próximo dia 18 no S. Jorge…
Esse concerto está a ser preparado de forma um pouco mais especial, não porque é mais importante que os outros concertos (não é!), mas porque queremos fazer desse dia um dia de viragem na nossa atitude em palco, não uma viragem radical, obviamente, mas criando mais pontos de comunicação com o público e com um fio condutor mais consistente do inicio ao fim do espectáculo.
Vamos como é óbvio tocar muitos temas do novo disco...
Temos neste momento um problema que é a selecção dos temas, visto a lista estar a crescer bastante :-)
Obrigado pela entrevista e pelo apoio!
O A Crack in the Croud é que agradece, ao João pela disponibilidade, e aos Gazua pela música entusiasmante e interpeladora.
Entrevista realizada por Maria João Ramos, aka Sheena.
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05 abril 2010
Once a Rebel, Always a Rebel
Este post inclui o vídeo do tema "Blowin' in the Wind", interpretado por Bob Dylan e Joan Baez ao vivo.
(Bob Dylan por Barry Feinstein, Inglaterra 1966)
Mais de 4 décadas nos separam do momento em que a objectiva de Barry Feinstein captou esta imagem icónica de Dylan, o rebelde americano, o porta-voz de um movimento contracultural que começava a sacudir os EUA e que se estenderia à Europa. Temas como "Blowin' in the Wind" e "The Times They are a-Changin'" tornaram-se hinos de causas anti-militaristas/pacifistas e de defesa das liberdades civis. O cariz transgressor de Dylan estava presente também na sua questionação e subversão das convenções da música popular da época, apropriando e experimentando a partir de vários géneros e tradições musicais de várias proveniências.
A idade, o sucesso, a respeitabilidade que a inclusão no mainstream inequivocamente operou, fazem com que olhemos para este Dylan transgressor como algo que existiu num passado longínquo, e que está hoje morto e enterrado. Se tivéssemos ainda algumas dúvidas, bastaria visionarmos o vídeo promocional da marca de lingerie feminina Victoria's Secret, em que Dylan participa (e que se encontra num post da semana passada, aqui).
Não deixa por isso de ser algo espantoso que o ministério da cultura chinês tenha proibido os concertos que Dylan se preparava para dar em Pequim e Xangai, no âmbito da sua Never Ending Tour (que dura desde o final dos anos 80), em grande medida devido ao seu inconformismo e rebeldia passados. De acordo com a notícia do jornal britânico The Guardian, (ver notícia aqui) a proibição de concertos de bandas estrangeiras por parte do autoritário governo chinês agudizou-se desde que a cantora islandesa Björk cantou "Tibete, Tibete" após a interpretação do tema "Declare Independence" (Xangai, 2008).
E aqui fica o vídeo em que Dylan e Baez interpretam, na década de 1960, "Blowin' in the Wind", um tema que questiona o status quo social e político vigente, e que teve origem numa música tradicional dos escravos americanos intitulada "No More Auction Block".
Para relembrarmos a necessidade premente de causas sociais e políticas comuns e o papel mobilizador que a música indiscutivelmente desempenha.
Para relembrarmos a necessidade premente de causas sociais e políticas comuns e o papel mobilizador que a música indiscutivelmente desempenha.
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