Os Kamones dispensam apresentações e já foram objeto de diversos posts neste blog.
Trata-se de uma banda de tributo aos míticos Ramones composta por músicos bem conhecidos e reputados do panorama musical nacional: João Alves (Peste & Sida), João Ribas (Tara Perdida), Paulinho (Gazua) e Rafael (Atentado).
Com vários anos de existência e muitos concertos um pouco por todo o país, os Kamones acabaram de disponibilizar um novo vídeo promocional, que inclui vídeos e imagens de várias atuações ao vivo, e no qual se pode ouvir o tema 'The KKK took my baby away', também interpretado ao vivo.
Como as imagens testemunham, os concertos dos Kamones são bastante acalorados e despertam participações entusiásticas por parte do público.
Ainda no âmbito do concerto de apresentação do livro Peste & Sida - 25 Anos de Veneno, agendado para amanhã, sexta-feira 13, na República da Música em Alvalade, Lisboa (ver último post), aqui fica um vídeo do 'making of' do tema 'Chuta Cavalo' (na verdade, uma espécie de medley dos temas 'Chuta Cavalo' e 'Vamos ao Trabalho'), incluído no CD de Tributo que faz parte deste livro, interpretado pelos Tara Perdida.
Neste CD participaram ainda as seguintes bandas/projetos: Xutos & Pontapés; Simbiose; Decreto 77; Barafunda Total; Manuel João Vieira; RatSwinger; Galandum Galundaina; Primata Robot; Albert Fish; Zero à Esquerda; Resposta Simples; Winterspring; Asfixia; Boca Doce; Grog; Defying Control; Vira Lata e Gilberts Feed Band.
Para todas as informações sobre este concerto imperdível basta visitar a página do evento no facebook, aqui.
É já hoje que se realiza, no Control Bar (Barreiro), a festa dedicada à mítica banda portuguesa Censurados. Será decerto uma noite muito animada, ao som de muita e boa música nacional e internacional, selecionada pelo DJ Billy.
Fica um pequeno vídeo comemorativo das quase 200 sessões realizadas por este DJ nacional, também autor do conhecido blog musical Billy-News e que recentemente enveredou também pela produção de eventos musicais.
Fica um vídeo da excelente prestação dos Kamones em Beja, no passado sábado 10 de Dezembro.
Tal como as imagens revelam, foi uma noite plena de animação e de espírito festivo, ao som dos temas imortais dos Ramones, seguidos de uma excelente seleção de punk rock português e internacional proporcionada pelo conhecido DJ Billy, a que ninguém ficou indiferente. Uma noite sem dúvida para recordar.
(SickSin, foto disponível no site da banda no facebook)
Os SickSin têm o objetivo de ser - e em nossa opinião são de facto - uma "lufada de ar fresco no punk rock português". Enquanto esperamos pelo lançamento do álbum Ponto de Partida, lembramos aqui o percurso da banda de Queluz formada por Covas, Zinhas, Rui Morello e Bruno Paiva e damos destaque ao videoclip e single de avanço do supramencionado trabalho - 'Vai a Jogo' - que tem contado com o bom acolhimento tanto da crítica como do público.
"Os SickSin formam-se em agosto 2008, com o intuito de serem uma banda punk-rock cantado em português. A sua formação inicial constituida por covas e zinhas,ambos antigos membros D-FACT, arrancam assim para uma, então, nova aventura musical em busca de algo novo e diferente. Salta a bordo Rui, guitarrista e velho amigo de covas, também ele desejoso de apostar num projecto. Após um período de ensaio...s sem baixista eis que surge Guedes, outro antigo membro D-FACT,cuja estadia com a banda foi curta. Mas em pouco tempo, conseguem um novo talento,Ginjas. Com a formação agora completa e anos de experiência entre todos, os SickSin estão prontos para arrasar com malhas originais e uma sonoridade marcante!"
Foi o destaque da semana e acontece já hoje: a 2ª parte do festival Outsider, já na sua 4ª edição, e com a presença dos Desobediência Geral, Punk Sinatra, Carlos Cruzt e Freedoom.
A abrir o apetite fica o link para a excelente review do 1º dia publicada no website musical Ponto Alternativo, da autoria de Emanuel Pereira, assim como um vídeo do 1º dia do Festival, da autoria de João Miguel Silva.
Este post inclui fotos da Manifestação da 'Geração À Rasca' de 12 de Março de 2011, da autoria da fotógrafa Diana Rosa, a quem muito se agradece a gentil cedência.
(Foto: Diana Rosa)
Há uns tempos a esta parte, e particularmente nos últimos meses, parece que se redescobriu em Portugal a música de protesto/canção de intervenção, essa figura aparentemente esquecida e enterrada nas brumas de uma história muito mal sabida (como prova esta entrevista da RTP sobre o 25 de Abril).
Esta "redescoberta" está associada principalmente a três acontecimentos recentes:
1) à popularidade inesperada - e subsequente mediatização - do tema "Parva Que Sou" dos Deolinda, apresentado pela primeira vez ao vivo em Janeiro passado;
2) ao fenómeno cataclísmico que a escolha popular do tema "A Luta é Alegria" dos polémicos Homens da Luta no Festival da Canção provocou;
e, mais recentemente,
3. à apresentação de "Puxa Para Cima a Tua Energia", dos Blasted Mechanism, na chamada 'Manifestação da Geração À Rasca' do passado dia 12, que em Lisboa poderá ter atingido o número recorde - e histórico - de 500.000 pessoas (a este propósito recomenda-se a leitura de um texto interessantíssimo, da autoria de Luís Miguel Sequeira, aqui).
(Foto: Diana Rosa)
O vídeo do tema, composto por imagens da manifestação (e da interpretação do tema in loco) foi disponibilizado pela banda noYouTube no passado dia 16, e apresentado - na mensagem anexa - como uma homenagem dos Blasted ao povo português, e uma forma da banda se associar - através daquilo que faz - a uma manifestação colectiva entendida como uma semente de mudança (ver mensagem no canal dos Blasted Mechanism no YouTube aqui).
(Foto: Diana Rosa)
Tive conhecimento há poucos dias deste tema/vídeo através da newsletter da Blitz, e não pude deixar de atentar nos comentários dos leitores. Tal como é recorrente nos espaços de comentários de outros sites/publicações online, das mais variadas áreas, o que se destaca é a maledicência, a mesquinhez, a crítica destrutiva, a má fé.
Opta-se por comentar a má qualidade da música ou por acusar a banda de aproveitamento da situação (para quê não se percebe, dado o estatuto que os Blasted indubitavelmente já detêm). Há excepções honrosas, que devem ser mencionadas, em particular o comentário inteligente e incisivo de 'arundel', que não resisto a citar:
"Não há ninguém que não associe imediatamente a música de protesto às manifestações do final da ditadura e início da democracia em Portugal. Zeca Afonso, Fernando Tordo, Vitorino, e tantos outros criaram aquilo que ficou para sempre ligado à memória da revolução de Abril. Nessa altura foram levados a sério por protestarem também com a sua música.
37 anos mais tarde, temos outras bandas, outros músicos, outros estilos. Mas a música como forma de protesto mantém-se. Nesse sentido, "Puxa para cima a tua energia" é tão bom ou tão mau como "Grândola Vila Morena": é o que temos, é mais uma forma de se associar a um protesto (...)"
('arundel', como vim a descobrir pouco depois, é o mesmo Luís Sequeira que menciono acima)
Para ler na íntegra este e os restantes comentários clicar aqui.
(Foto: Diana Rosa)
A crise económica e social que se vive e se tem agudizado nos últimos anos, ou o profundo descrédito da classe política e dirigente, em minha opinião sintomas inequívocos da falência do capitalismo e da voragem demolidora da sua versão neoliberal, provocam legitimamente o desânimo, o cansaço e a desconfiança.
(Foto: Diana Rosa)
Contudo, a incapacidade de acreditar em quem quer que seja, ou de valorizar o que quer que seja, particularmente o trabalho e o esforço alheios, parece-me ser um dos sintomas e aspectos mais preocupantes da situação complexa em que nos encontramos (e deste mundo difícil de compreender em que vivemos). Assim não há sementes que germinem, nem manifestações colectivas esporádicas que evoluam para movimentos e projectos comuns que possam fazer-nos caminhar para um mundo melhor.
(Foto: Diana Rosa)
Por fim, e independentemente dos meus gostos e preferências musicais, congratulo-me pelos temas dos Deolinda, dos Blasted Mechanism, e até dos Homens da Luta (com algumas reservas que não interessa neste momento mencionar), assim como de muitos outros que, com menos visibilidade e mediatismo, e sem quaisquer intenções que não sejam 'o amor à camisola', fazem há muitos anos música de protesto em Portugal: Crise Total, Censurados, Peste & Sida, Gazua, Dalai Lume, Punk Sinatra, Albert Fish...para nomear os primeiros que - por pura preferência pessoal - me ocorrem de repente.
(Foto: Diana Rosa)
O aproveitamento interesseiro é uma realidade, em várias áreas e a música não será decerto excepção. Contudo, tão importante como as músicas, e estas músicas que mencionei em particular, é o modo como as pessoas as têm apropriado, porque se identificam com a sua mensagem - de revolta, de descontentamento.
É positivo o facto destas músicas terem dado azo, em diversos fóruns, a trocas de opiniões, felizmente nem sempre tão pessimistas e negativas como o caso referido (veja-se o debate interessante que o tema dos Deolinda motivou no blog Cravo de Abril - aqui). Temos contudo ainda um longo caminho a percorrer até conseguirmos comunicar - e discordar - com respeito e abertura de espírito.
(Foto: Diana Rosa)
Esperemos que em vez de uma moda passageira, o regresso da música de protesto, e da música e de músicos comprometidos com causas que prossigam ideais humanistas e defensores de um mundo mais justo, mais igualitário e mais ecológico, se torne algo mais expressivo, abrangente (nos vários géneros musicais) e duradouro.Teríamos - e ouviríamos - melhor música, com todas as consequências benéficas que decerto daí adviriam.
Fica o excelente vídeo dos Blasted Mechanism - e da histórica manifestação do passado dia 12 de Março. Não sendo uma apreciadora entusiástica da sonoridade desta banda, admiro o seu trabalho, a sua criatividade e as suas performances ao vivo, lembrando vividamente um dos seus concertos - e dos melhores a que já assisti - em Odemira na madrugada do dia 25 de Abril de 2009.
O tema da música de protesto (ou de intervenção) será retomado num ou mais posts subsequentes.
O passatempo "Kamones em Beja" já terminou! Obrigada a todos os que participaram.
Aqui ficam as respostas correctas e um vídeo dos Kamones ao vivo no Festival Outsider 3, com a interpretação de um tema que decerto se vai ouvir hoje na Galeria do Desassossego - "The KKK Took My Baby Away".
PASSATEMPO KAMONES EM BEJA 1. Como se chama o primeiro álbum dos Ramones? b) Ramones
2. Em que ano actuaram os Ramones em Portugal? c) 1980
3. Qual o instrumento que João Alves toca nos Kamones?
a) Nenhum. É o vocalista.
4. Qual dos seguintes temas interpretados pelos Kamones não é originalmente dos Ramones?
b) R.A.M.O.N.E.S (original dos Motörhead)
O A Crack in the Cloud esteve no último sábado na Fnac do Algarve Shopping (Guia - Albufeira) para assistir à actuação dos Gazua, em formato showcase, naquele espaço.
Foi uma experiência interessante e sem dúvida diferente dos concertos a que temos assistido desta que é, sem dúvida (não nos cansamos de o repetir), uma das bandas rock/punk pock mais interessantes e profícuas do panorama nacional actual.
O concerto teve início por volta das 17 horas e uma duração de aproximadamente 40 minutos. Apesar do lançamento do último trabalho Contracultura (2010) ter dado o mote a esta performance, os Gazua optaram (e a nosso ver muito bem) por percorrer a sua discografia, dando a conhecer a este público indiferenciado e fortuito uma espécie de 'best of' condensado (se é que é legítimo colocar as coisas nestes termos, dada a quantidade de temas fortes que os três trabalhos da banda contêm...).
Foram por isso 8 os temas seleccionados e apresentados, num ritmo ligeiramente mais lento e contido (como as características do espaço e do formato o exigiam), mas com a habitual energia e rigor: "Mil Dedos" (do primeiro trabalho, Convocação), "Reescrever a História", "Para Todos", "Ela Era Agonia", "Eu Ouvi Falar de Ti" e "Valsa dos Venerados" do segundo trabalho, Música Pirata (2009), e "Preocupa-te" e "Casa dos Fantasmas" do mais recente Contracultura (2010).
O espaço esteve sempre bastante composto, e muitos foram os transeuntes que se detiveram a assistir à actuação dos Gazua, que cumpriram sem dúvida da melhor forma o propósito de divulgação do seu trabalho.
Depois da Fnac, era tempo de rumar a Portimão, para mais um concerto da mini-tour que os Gazua estão a realizar, muito bem acompanhados pelos Asfixia e pelo DJ Billy (e com passagem por Beja já no próximo dia 26 de Fevereiro).
Não pudemos deixar de reflectir sobre a ironia da situação: ouvir a música de intervenção dos Gazua, e a crítica vincada patente no refrão de "Para Todos" a reverberar por este outlet de uma empresa multinacional cujos lucros se situaram acima dos 4 milhões de euros em 2009, e que é detida por um grande grupo económico (PPR), cuja estratégia de maximização de lucro passa por uma diversificação de ramos de actividade e investimento: para além da Fnac, o grupo é proprietário de empresas/marcas tão diferentes como a Gucci e a Puma.
Bem ciente de que o lucro depende (do volume) do consumo num mundo hipercomoditizado onde a panóplia de produtos disponíveis não tem provavelmente precedentes históricos, a Fnac tem uma estratégia de negócio bastante aguerrida que passa pela quantidade e qualidade da oferta, por uma estratégia de branding assente na sofisticação, fiabilidade e no serviço personalizado, apostando também fortemente na divulgação e promoção cultural diversificada e não exclusivamente mainstream. Ou seja, a Fnac, assim como muitas outras empresas, está bem ciente da necessidade de cobrir (quase) todo o espectro da produção (neste caso cultural), não deixando escapar o potencial de lucro inerente à comercialização da produção alternativa e inovadora.
Torna-se também interessante atentarmos em como algumas destas estratégias - agora prosseguidas com objectivos iminentemente comerciais (capitalistas) - estiveram subjacentes à fundação da empresa na década de 1950, com propósitos bem diferentes. André Essel e Max Théret, pertencentes ao movimento político de Jovens Socialistas francês, criaram em 1953 a Fédération nationale d’achats des cadres (ou seja FNAC)com o objectivo principal de fornecer produtos culturais a preços muito acessíveis aos trabalhadores, aumentando assim o seu poder de compra (ou seja, o acesso aos bens culturais).
Podemos talvez vislumbrar alguns ecos destas ideias transgressoras e contrárias ao espírito capitalista dominante em algumas acções da Fnac, tais como o combate à iliteracia ou o "Manifesto pela Diversidade Musical", lançado em França em 2002? Pode ser que sim, mas reservamo-nos o direito de duvidar, e de perspectivar estas e outras acções no âmbito das complexas estratégias de branding envolvidas na promoção desta e de outras empresas junto daqueles que as sustentam...ou seja nós, os consumidores, cada vez mais ávidos (e ainda bem) dos chamados bens ou produtos culturais...só é pena que estes estejam cada vez mais acessíveis apenas àqueles que ainda têm emprego e algum poder de compra (ou seja, a um número cada vez mais reduzido). A cultura não é mesmo (ainda) para todos.
Apesar de conscientes da complexidade e das múltiplas contradições inerentes ao magnífico novo mundo do capitalismo globalizado e neoliberal, foi muito bom vermos os Gazua na Fnac, e só faltou mesmo ouvir "Queremos a Música de Volta".
Fica o vídeo do excelente "Reescrever a História".
Bem a propósito da passagem do 'Tour Nado' Gazua pelo Algarve já este fim-de-semana, com actuações hoje em Faro e amanhã na Fnac do Algarve Shopping (Guia, Albufeira) e em Portimão (ver cartaz acima), para promoção do mais recente trabalho da banda, Contracultura (amplamente tratado aqui no A Crack in the Cloud), aqui fica o videoclip do excelente tema "Preocupa-te", recentemente disponibilizado na rede.
O imperdível concerto dos Punk Sinatra e dos Albert Fish é já hoje! Vai ser decerto um grande concerto, e por isso é veementemente recomendado pelo A Crack in The Cloud.
Para abrir o apetite aqui fica o videoclip do tema "Andas Por Aí" dos Punk Sinatra, disponibilizado muito recentemente pela banda.
De acordo com um comunicado dos Punk Sinatra, o vídeo tem "imagens "na estrada" e "no estúdio" captadas durante a mini-tour de apresentação de "Ataca Contrataca o Monstro Acordou",entre Maio/Julho do ano passado e música gravada ao vivo na Arruda dos Vinhos em Maio de 2010".
O vídeo mereceu uma review no blog Vitriola News, cuja leitura se recomenda também aqui.
Os Punk Sinatra encontram-se numa fase de intensa actividade, com vários concertos em perspectiva e a promessa da edição para breve do novo trabalho, com o sugestivo título À Socapa do Sistema, gravado entre Setembro e Novembro de 2010.
Enquanto aguardamos com expectativa pelo novo trabalho, é de aproveitar as oportunidades de ver os Punk Sinatra ao vivo. Hoje, por isso, todos os caminhos vão dar à Moita, e ao excelente InLive Caffé.
Em jeito de 'warm up' para o concerto dos Kamones, já amanhã a partir das 16 horas na Casa de Lafões (Lisboa), aqui fica um vídeo da actuação desta banda de tributo aos Ramones no mesmo local, no âmbito do Festival Outsider 3, desta feita com o tema "Cretin Hop".
Lembramos ainda que o evento inclui ainda a actuação das bandas convidadas SickSin e FPM, assim como do DJ Billy, e ainda a presença da equipa da fanzine Outsider.
Fotos gentilmente cedidas aoA Crack in the Cloud pelo seu autor, Fábio Dias.
Este post inclui o vídeo de "Vítimas do Sistema", interpretado pelos VE no Bar Metalarium em Badajoz, captado e editado por João Miguel Silva.
(Ventas de Exterko, por Fábio Dias)
Diz o adágio popular que depois da tempestade vem a bonança, e o dito parece assentar na perfeição ao regresso dos Ventas de Exterko (VE) aos palcos, com nova formação e depois de um período conturbado do percurso da banda, motivado pela saída do vocalista e guitarrista Leo.
O regresso não podia, na nossa opinião, ter corrido melhor, com a performance enérgica, consistente e verdadeiramente contagiante que os Ventas de Exterko ofereceram na passada terça-feira no Bar Metalarium, em Badajoz, Espanha, e que não deixou ninguém indiferente.
Os Ventas de Exterko, cabeças de cartaz, foram antecedidos da actuação animada de uma muito jovem banda de rock local, com o sugestivo nome de Sanatorio de Muñecos, que aqueceu o ambiente e foi decerto responsável pela presença de muitos jovens no local, que corresponderam com entusiasmo - e algum mosh - à sonoridade punk/hardcore dos rapazes do Exterko: Roza (voz e baixo), Fava (bateria e voz) e Tuga (guitarra e voz).
A prestação dos VE destacou-se por uma segurança e descontracção que nos surpreenderam pelo facto de se tratar da estreia da nova formação, e particularmente do novo vocalista (e baixista), Roza. Esta constituiu, na verdade, a principal razão da nossa presença no local, e merece por isso particular menção.
Não obstante as qualidades do anterior vocalista, e do receio que tínhamos relativamente à sua substituição, foi com bastante agrado que constatámos a adequação da voz de Roza não só à sonoridade como também à lógica - de furor e combatividade - que caracteriza o projecto VE.
(Roza, por Fábio Dias)
Não pudemos também deixar de apreciar a sua postura extrovertida, enérgica e muito irreverente (mesmo algo lunática, na acepção positiva do termo), responsável por uma constante interactividade com o público, iminentemente espanhol, que a soube apreciar, correspondendo com entusiasmo.
Estas qualidades de Roza contribuem sem dúvida também para uma postura algo diferente deste colectivo, marcada por uma maior descontracção, irreverência e vivacidade.
De destacar igualmente a presença sempre marcante de Fava, membro fundador, principal impulsionador e incontestável frontman desta que é uma das muito poucas bandas de punk rock da região.
(Fava por Fábio Dias)
Apesar dos melhores esforços de Tuga notou-se a falta de uma guitarra, deficiência que sabemos estar prestes a ser colmatada com a integração próxima de um guitarrista adicional, cuja identidade a banda promete revelar a muito breve trecho.
(Tuga, por Fábio Dias)
Quanto ao alinhamento, os Ventas de Exterko iniciaram com uma breve intro instrumental, para arrancarem depois em grande pujança com "Caos em Portugal", indubitavelmente um dos temas mais fortes da banda, a que 'colaram' o igualmente marcante "Ergue a tua Voz", set que agarrou de imediato o público. Sem dar tréguas, continuaram com o excelente "Vítimas do Sistema", seguido de dois temas novos, "Isso não vai mudar" e "Ódio & Amargura", que obtiveram uma boa recepção.
"Nós Por Cá" foi mais um tema muito bem conseguido e entusiasticamente recebido, não só devido à sua popular temática ("Quero ver confusão, malta animada, cerveja na mão"), como também à interpelação vigorosa do vocalista Roza. Seguiram-se-lhe "Lobisomem" e mais dois temas novos, o instrumental "X", com um pendor predominante metálico, e por isso diferente da linha principal da sonoridade dos VE, e "Olhar Incerto".
A actuação dos VE entrou na recta final com mais dois temas fortes - e sempre a abrir - da banda: "Os Porcos Chegaram para Ficar" e "Pode ser que se Fodam". O público, visivelmente satisfeito mas ávido pediu mais, e os amigos e companheiros portugueses presentes exigiram "Zé" (deixa 'tar que o primo tem), que teria terminado da melhor forma a actuação desta banda punk alentejana, não fosse a insistência do público, que não deu tréguas a uns Ventas que acusavam já algum cansaço.
Depois de alguma confusão e reticências, o vocalista Roza anuncia a repetição do tema de abertura "Caos em Portugal", desta feita dedicado à cidade onde se encontravam, Badajoz, e interpretado (pelo menos parcialmente) em castelhano. Apesar do carácter improvisado da interpretação, o público local acolheu-o (naturalmente) com muito entusiasmo, e foi em verdadeiro clima de festa que terminou esta memorável actuação dos Ventas de Exterko além fronteiras.
(Ventas de Exterko & friends, por Fábio Dias)
Fica aqui então, com nota muito positiva, assinalada esta performance dos Ventas de Exterko, que têm já vários projectos e concertos agendados para 2011. Fazemos igualmente votos de que a banda tenha uma maior receptividade e marque presença em eventos de punk rock, sendo que até aqui o projecto tem (estranhamente?) tido especialmente atenção e bom acolhimento no meio metálico.
Patti Smith venceu recentemente o prémio nacional americano de literatura (National Book Award) na categoria de não ficção, com o seu livro Just Kids, objecto de notícia neste blog (aqui) aquando da sua publicação, no início de 2010.
Smith concedeu uma longa entrevista no programa televisivo americano Democracy Now!, na qual fala, com simplicidade e muito humor, da sua vida ligada à música, do seu activismo político, e também do livro Just Kids, que relata a sua relação com o fotógrafo Robert Mapplethorpe e os primeiros anos da sua vida em Nova Iorque.
Aqui fica o vídeo da entrevista e o link para o artigo do Democracy Now!, que inclui a transcrição da entrevista.
Depois do último post, e para terminar a semana com uma nota mais positiva, algo difícil na actual conjuntura, ficam os vídeos de duas bandas punk nacionais, Dalai Lume e Ventas de Exterko, ambas com uma mensagem actualíssima e pertinente.
A excelente entrevista que Billy, o autor do reputado blog Billy-News, fez recentemente a João Morais, vocalista dos GAZUA, é não só referência obrigatória aqui no A Crack in the Cloud como absolutamente imperdível não só para os apreciadores de punk rock como para todos aqueles que se interessam pela música portuguesa em geral. Para ler a entrevista na íntegra, clicar aqui.
Os Gazua são sem dúvida uma das bandas mais interessantes, profícuas, inovadoras e interventivas da actualidade musical nacional.
Poucos meses após o lançamento do seu terceiro trabalho, Contracultura, que mereceu na altura o devido destaque neste blog, os Gazua preparam-se para voltar à estrada, ao mesmo tempo que pensam já num novo projecto.
No decurso dos últimos posts, que exploraram as relações estreitas entre a música e o design gráfico, impõe-se também aqui referir o original e cuidado grafismo/artwork, que é mais um elemento distintivo dos GAZUA, da autoria do seu vocalista, também designer, João Morais.
Ficam alguns excertos da entrevista, assim como os apelativos cartazes e um vídeo teaser relativos aos próximos concertos: dia 4 de Novembro no Music Box (Lisboa) e no dia 6 de Novembro no In Live Caffé (Moita). Esperemos que sejam os primeiros de muitos mais, e um pouco por todo o país.
(João Morais: sobre o tema orientador do novo trabalho, Contracultura)
"Os anos 60 servem (ou deviam servir) sem dúvida de inspiração para a nossa maneira de estar actual. Na América levantaram-se vozes contra a guerra do Vietname e contra a segregação racial, em França os estudantes e depois toda a população levantaram a voz por melhores condições de vida.
Tendo em conta a situação política que Portugal vive actualmente, e a forma como perspectiva o futuro, penso que não podemos ficar quietos e calados. Os Gazua são a nossa forma de levantar a voz contra um sistema político hipócrita e egoísta."
(...)
"(...) o que queremos é manter sempre o factor surpresa presente no nosso trabalho. No dia em que o que fazemos se tornar demasiadamente previsível, terminamos o projecto. Fazemos música em primeiro lugar que nós gostamos e esperamos que o pessoal goste também.
Fazer música à medida do público é o que torna as bandas superficiais e artisticamente desinteressantes."
Não é todos os dias que uma banda portuguesa actua na capital britânica...
Os Blasted Mechanism anteciparam a sua participação no festival de Glastonbury (que ocorreu no passado fim-de-semana) e as duas actuações na capital britânica com o lançamento do seu primeiro single no mercado britânico, "Start to Move". O tema, e o respectivo vídeo, mereceram os comentários entusiásticos que se seguem, no site inglês de música http://www.redhotvelvet.co.uk/ :
"Founded / invented in the Summer of 1995 the Portuguese composite combine revolutionary technology with ancestral soundscapes of fanatical stature, to conjure melodies and beats of exquisite proportion. Their pioneering approach to structure and harmony allows this enigmatic collective of thinkers to blend qualities of electro, reggae and dub to create something truly magnificent.
Blasted Mechanism celebrate their arrival in the UK with the release of their debut UK single Start To Move on June 11th. Pungent progressions of tribal beats, futuristic sounds and an outrageously evocative structure all marry, resulting in five minutes of pure, utopian ecstasy. The accompanying video , simply put, is a spectacular cinematic experience, NOT to be ignored."
Este post inclui um vídeo de "Two Pints of Lager and a Packet of Crisps" dos Splongenessabounds, e o excerto de um episódio da comédia britânica com o mesmo nome...
O blogue de música do jornal britânico The Guardian dedica quase semanalmente um post à exploração musical das mais diversas temáticas, das mais "sérias" às mais comezinhas: política, meio ambiente, amizade, ressacas, letras inintelingíveis, etc.
O post, chamado "Readers recommend", tem como principal objectivo promover a participação dos leitores, que a partir dos seus encontros pessoais com a música, nas mais variadas situações da sua vida quotidiana, indicam temas, dos mais variados géneros musicais, associados à temática proposta.
No último post a temática foi "Músicas sobre Bares e Pubs", e sem surpresas, uma das indicadas foi a minimalista "Two Pints of Lager and a Packet of Crisps Please" dos Splongenessabounds, que atingiu o 7º lugar do top britânico de singles em 1980...
O título da música serviu de inspiração a uma comédia britânica com o mesmo nome (sem please), da autoria de Susan Nickson, que estreou em 2001, e que gira há volta das vidas de um grupo de jovens...e inevitavelmente dos seus encontros no pub.
Já não é novo mas não deixa de ser interessante, por exemplificar como a música promove e facilita o contacto intercultural num mundo que apesar de globalizado continua a definir-se (e ainda bem) pela diversidade...interessante também o modo como Eddy apropria e adapta a música original ao seu próprio contexto cultural.
Um agradecimento ao Carlos A. que enviou o link.
"Prova de que a musica ultrapassa fronteiras (continentes, oceanos, e realidades...) Eddy, de 16 anos, vive numa vila na fronteira da floresta tropical em Madagascar. Ouviu Tara Perdida duas vezes, e deu-nos este presente..." (simplyjoana, 18 de Maio de 2008, Youtube)
As imagens nem sempre valem mais que mil palavras, mas as imagens e os sons que se seguem não só comprovam e validam a apreciação do concerto feita no post anterior, como colocam a nú as limitações da palavra escrita relativamente ao registo audiovisual...imperdível para quem gostava de ter estado lá e não esteve, e para quem esteve e já tem saudades...