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25 agosto 2010

Barafunda Total: lançamento do novo trabalho "A Grande Conspiração"

Este post inclui o vídeo de "A Grande Conspiração" dos Barafunda Total.



O lançamento do novo trabalho dos lisboetas Barafunda Total  está já agendado para exactamente daqui a um mês, 25 de Setembro, no Berlim Bar (Rua do Diário de Notícias, Bairro Alto), de acordo com o cartaz gentilmente enviado pela banda ao A Crack in the Cloud, juntamente com a respectiva nota de imprensa.

O evento está marcado para as 21h e contará  com a presença das bandas convidadas Simbiose e Dr. Bifes e os Psicopratas. A entrada terá um preço de 6€ e incluirá a oferta do novo álbum.


Fica alguma informação sobre a banda, o seu percurso e este novo trabalho, que contou com a participação de João Morais (Gazua) no tema "Reconciliação".



Sobre os Barafunda Total

(Nota: informação disponível no site do myspace da banda, em http://www.myspace.com/barafundatotal )

"Os “BT” são de Lisboa, Portugal e datam o seu início em Setembro de 2002. A Banda é composta pelo David na Guitarra, Ricardo na Voz, Diogo na Bateria e Zé Miguel no Baixo. Sob influências do Punk/Hardcore/Rock que por cá se faz e também de alguns géneros estrangeiros começámos a percorrer o caminho que nos levaria ao primeiro registo em 2004."
(...)
"Começámos logo desde o início da formação a dar concertos na zona de Lisboa até que gravámos a primeira maquete intitulada "Bem-Vindos a Realidade" em Fevereiro de 2004 que inclui 6 temas originais gravados nos estúdios Margem Sul."
(...)
"Já com uma boa bagagem de concertos e com a realização de vários novos temas na busca de uma identidade própria, entrámos novamente em estúdio em Fevereiro de 2007, lançando assim o primeiro álbum de originais intitulado "Um Passo Para Crescer". Este que conta com 12 temas e levou a que fosse possível partilhar os palcos com as melhores bandas nacionais dentro do género musical, como os 31, Peste & Sida ou Mata-Ratos. Neste momento acabamos de gravar um novo álbum de originais, já com um estilo muito próprio, que se chama “A Grande Conspiração” (...)."


Sobre A Grande Conspiração

"Produzido por Miguel Marques nos Generator Studios e masterizado em NY por Alan Douches nos west west music studios, este que é o segundo album de originais da banda, conta com 10 temos energéticos.
Tem a participação de "João" dos Gazua no tema "Reconciliação" e de "Td" de Aykien no tema "Na extremidade está a ignorância"."

"A GRANDE CONSPIRAÇÃO" tenta reflectir o panorama de um século em que se gerou todo um rol de incertezas à volta dos grandes acontecimentos da História.

O primeiro homem a ir à lua… Russo ou Americano? Quem culpar no caso da queda das torres gémeas… terrorismo ou interesses políticos? Será de ordem natural a epidemia da gripe A, ou uma manipulação da indústria farmacêutica? Usufruímos só das vantagens das novas tecnologias ou será que nos tornamos simultaneamente vítimas desta nova "ditadura" de informação, através da qual mentiras e cinismos se infiltram subtilmente nas nossas rotinas?

Verdade ou mentira, realidade ou ilusão… estarão as nossas mentes a serem controladas?
As palavras, provas e testemunhos são ambíguos e suscitam dúvidas, que não podem deixar de ser levantadas...
Mas a verdade é que acreditamos cegamente naquilo que nos querem fazer acreditar, renegando assim suspeitas que vemos geradas.
Tentamos com este álbum esboçar um pouco da nossa sociedade e abordar vários aspectos do nosso dia-a-dia enquanto parte dela, dai o álbum também ter uma forte componente pessoal liricamente. Simbolizamo-lo através da figura irónica do palhaço" (…) personagem cómica que diverte o público com habilidades (…)" e "através do drama de situações do quotidiano (…)", com duas facetas."

(Fonte: http://www.myspace.com/barafundatotal )


A Grande Conspiração - Barafunda Total

BT- NOVAS MUSICAS E NOVO VIDEOCLIP ONLINE | MySpace Music Videos

26 janeiro 2010

Punks United: Impressões de The Casualties etc.


Foto: "Cais do Ginjal II", de João Pedro Neves

O punk surgiu há 3 décadas, mas a sua actualidade inquestionável deve-se, em grande medida, à persistência ou mesmo agudização das condições sociais, económicas e políticas que lhe deram origem, e contra as quais se insurgiu (em particular no contexto britânico): políticas neoliberais orientadas para a maximização do lucro, “capitalismo casino” (Susan Strange), economia desregulada e globalizada, e as feridas abertas da desindustrialização e do desemprego massivo e estrutural.

A vinda dos The Casualties a Portugal, no passado sábado, no âmbito da tournée de promoção do seu último trabalho, We Are All We Have, deu o mote para um concerto memorável que confirmou a pujança das cenas punk nacional e internacional, alimentadas sem dúvida pelo desencanto, descontentamento, revolta e impotência perante uma realidade social difícil, injusta e sem perspectivas de mudança.

O espectáculo realizou-se no Revólver Bar, localizado em Cacilhas, no antigo Cais do Ginjal. Outrora um ponto nevrálgico da economia local, o cais, e as carcaças dos armazéns e das fábricas que lhe deram vida e que sustentaram as vidas de muita gente, são hoje monumentos emblemáticos do estado decadente e sem rumo das sociedades industriais contemporâneas, e da destruição criativa do capitalismo. É um local triste e inquietante, cheio de fantasmas e de memórias de um passado diferente, e da angústia de um futuro sempre adiado, que nem a vista gloriosa de Lisboa numa rara tarde de sol de um Janeiro invernoso conseguiu afugentar.

Com o cair da noite, o cais começou a transformar-se, à medida que os restaurantes e os cafés circundantes se enchiam de gente que teima em celebrar o que a vida – e o fim-de-semana – têm de melhor neste cantinho à beira-mar. Aí o ambiente era de confraternização e de alegria e as T-Shirts de “Ramones”, “The Casualties”, “Peste & Sida”, “Tara Perdida”, etc. não enganavam: hoje havia festa no velho cais.

Com algum atraso face ao previsto, os P.H.T. abriram as hostilidades com o seu som rápido e irreverente, e a sala, pouco espaçosa, rapidamente preencheu a sua capacidade. Desde logo se percebeu que o sucesso da noite estava garantido, com uma participação incondicional do público desde o primeiro minuto.

Seguiram-se-lhes os igualmente imparáveis e já veteranos Albert Fish, cujo último trabalho, News from the Front, fez abanar os corpos mas também as mentes, transportando-nos, mais uma vez, para a dura realidade social contemporânea, simbolizada pelo Cais do Ginjal (e os seus fantasmas): “The voices from the past shout questions that remain unanswered, Entertain the mind with thoughts of better days” (Albert Fish, “No Plan”).

O público demonstrou bem o seu apreço por esta banda lisboeta, correspondendo com entusiasmo e com as letras bem presentes. “We Stand Together”, hino poderoso da rebeldia e união punk, constituiu decerto um momento especial e teria sido mesmo o ponto alto da actuação desta banda, não fosse a totalmente inesperada interpretação do tema “Angústia”, dos míticos Censurados, com a participação do seu não menos mítico vocalista, João Ribas, vigorosamente intimado a subir ao palco.

“Estou perdido neste mundo/Estou perdido que é que eu faço aqui/Quero ir-me embora/Mas não sei para onde ir/Quero ter uma vida nova/Neste mundo quero existir/Angústia” (Censurados, “Angústia”)

Os Simbiose deram seguimento ao espectáculo, com a sua sonoridade rápida, crua e brutal, que, como as suas letras directas, impiedosas e interpeladoras, não deixa ninguém indiferente. “O país está em crise/E mal podemos comer./Pagas impostos para tudo, Mal conseguimos viver,/Saúde e educação,/Sem condições para trabalhar!/Nós temos de pagar/E eles querem encerrar” (Simbiose, “Sem Moral”). “Auto-estima” constituiu um dos momentos marcantes da performance da banda, com o público a gritar em uníssono “Deves falar/Dar a tua opinião/Não fiques calado/Segue a tua direcção”.

Finalmente, e depois desta maratona de punk nacional, foi a vez dos cabeças de cartaz subirem ao palco para uma verdadeira descarga de energia alucinante e de power punk que durante mais de uma hora não deu tréguas à assistência que, imparável e delirante, esteve bem à altura do desafio, com constantes e inúmeras ‘pit manoeuvres’, com destaque para o stage dive, crowd surf e circle pit. Raros foram os momentos em que os The Casualties tiveram o palco só para si, e alturas houve mesmo em que era difícil distinguir os elementos da banda nova-iorquina por entre os muitos fãs que lá se encontravam…

Dos muitos êxitos que se ouviram podemos destacar alguns temas fortes do último álbum, como “We Carry On The Flag”, “We Are All We Have”, “War Is Business”, “Unemployment – Depression Lines” ou “Stand Against Them All”; de Under Attack (2006): “Under Attack”, “System Failed Us…Again”, “Social Outcast”, “VIP” ou “No Solution…No Control”, e alguns clássicos incontornáveis, como “Riot”, “For The Punx”e o verdadeiro hino “Punx Unite”, sem esquecer o momento especial de tributo aos Ramones, com a cover de “Blitzkrieg Bop”.

As temáticas abordadas não poderiam ser mais actuais, e complementaram/repetiram a mensagem das bandas portuguesas que os antecederam. Através da sua música, os The Casualties manifestam desencanto, impotência e descrença no sistema vigente, insurgem-se contra o militarismo e imperialismo americanos, contra o desemprego, a pobreza, a exclusão e injustiça sociais, a destruição do meio ambiente, e apelam à união e à luta como necessárias à mudança.

Enfim, uma noite verdadeiramente memorável, a demonstrar a actualidade e a necessidade da música e do espírito punk originais, celebrados, continuados e actualizados com novo fôlego e da melhor maneira por todas as bandas participantes e pelo público presente, que soube criar uma atmosfera e energia muito positivas, de alegria e coesão.

Impõe-se uma palavra final de apreço e de reconhecimento à Infected Records DIY, e a todos aqueles que contribuíram com o seu tempo e o seu trabalho para a realização deste evento.

“No matter what's needed
Or how great the hurry
As long as there's rebels (…)”

(The Casualties, “Social Outcast”)

28 outubro 2009

Festival Outsider II 2ª Parte e Balanço Final

Reportagem sobre a 2ª noite do Festival (24 Outubro), que contou com as actuações das bandas 2 Sacos e 1/2, Dollar Llama, P.H.T. e Simbiose...basta clicar nos "Comentários" desta mensagem. Agradecimentos à autora pelo envio do texto.