Após os concertos de lançamento do livro biográfico e do CD de tributo comemorativos dos 25 anos da banda, os Peste & Sida atuam já amanhã, 27 de Abril, em Coimbra e no dia seguinte em Leiria. Uma oportunidade imperdível para ver ou rever esta banda de referência nacional.
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26 abril 2012
Peste & Sida: Próximos Concertos
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16 abril 2012
Peste & Sida: 25 Anos de Rock de Combate
Não é preciso ser entendido em matéria de música ou conhecer de perto o meio musical para perceber o que significa para uma banda atingir 25 anos – um quarto de século – de existência. Uma banda é uma estrutura coletiva relativamente frágil e permanentemente instável, que tem de ser construída, defendida e consolidada a cada dia. Não é como uma família (mesmo em stress!), onde os laços de sangue funcionam como uma potente cola de contato que dirime diferenças e conflitos de geração ou de personalidade. Não é como um grupo de amigos, que se junta à mesa ou em festas e concertos para celebrar o que a vida tem de melhor e que tantas vezes se esfuma ao primeiro revés.
Uma banda é um conjunto de indivíduos unidos pelo gosto de fazer música que, como as famílias e os grupos de amigos, têm personalidades distintas e por vezes conflituantes. Um conjunto de pessoas com vidas paralelas, dinâmicas, complicadas e por vezes difíceis de conjugar. A estes aspetos alia-se ainda a evolução, por vezes em direções diferentes, dos gostos, das tendências e dos percursos musicais, ou o desgaste inevitável que as longas horas de ensaios, de estrada e de concertos operam sobre as relações pessoais. Por fim, não podemos esquecer o cansaço que um projeto sem prazo de validade pode causar e que tende a aumentar com a passagem dos anos, com os altos e baixos de uma carreira sem garantias.
Uma banda é um conjunto de indivíduos unidos pelo gosto de fazer música que, como as famílias e os grupos de amigos, têm personalidades distintas e por vezes conflituantes. Um conjunto de pessoas com vidas paralelas, dinâmicas, complicadas e por vezes difíceis de conjugar. A estes aspetos alia-se ainda a evolução, por vezes em direções diferentes, dos gostos, das tendências e dos percursos musicais, ou o desgaste inevitável que as longas horas de ensaios, de estrada e de concertos operam sobre as relações pessoais. Por fim, não podemos esquecer o cansaço que um projeto sem prazo de validade pode causar e que tende a aumentar com a passagem dos anos, com os altos e baixos de uma carreira sem garantias.
Foi a partir desta breve reflexão que tentei apreender ou apreciar devidamente o que significam os 25 de carreira dos Peste & Sida, assinalados com a edição de um livro de cariz biográfico, da autoria de Renato Conteiro e Augusto Figueira, com um CD de tributo em que participaram quase duas dezenas de bandas nacionais, e com dois concertos de apresentação do livro e do CD. O concerto de Lisboa teve lugar na passada sexta-feira, 13 de Abril, em Lisboa, e o do Porto está agendado para o próximo sábado, 21 de Abril, no Hard Club.
Pouco passava das 23 horas quando entrei na República da Música, excelente recinto de concertos, localizado em Alvalade, zona central da capital investida de uma forte carga histórico-cultural e simbólica, por ter constituído, na segunda metade dos anos 80, um dos epicentros da chamada terceira vaga do movimento punk em terras lusas. Os Peste já tinham começado a sua atuação, a sala ampla encontrava-se praticamente cheia e o calor era já notório. Com dificuldade avancei por entre um mar de gente, até chegar a um local próximo do palco, de onde pudesse ver o concerto. À medida que avançava ia notando a composição do público, onde se misturavam muitas caras conhecidas do meio musical com familiares, amigos e fãs da banda, maioritariamente nas faixas etárias dos 30 e dos 40 anos, mas com uma presença assinalável de malta mais jovem, a provar a popularidade que os Peste & Sida têm conseguido granjear e manter ao longo de mais de duas décadas de atividade.
Chegada ao local escolhido para apreciar o espetáculo, já se ouvia o segundo tema da noite 'Está na tua mão' e o entusiasmo do público era manifesto. Estava visto que o pessoal estava ali de corpo e alma, empenhado em dar o seu melhor e em desempenhar um papel proativo nesta grande festa do (punk) rock nacional. O entusiasmo deste público rendido desde o primeiro minuto era partilhado (e amplificado) pela postura da banda, e o concerto foi dominado por uma forte interação e um clima de grande cumplicidade e de perfeita sintonia entre os músicos (com especial destaque para o vocalista/baixista e frontman, João San Payo) e a assistência.
Foi de resto este o clima que reinou e que se intensificou ao longo da hora e meia seguinte, à medida que desfilavam temas dos sete álbuns de originais que a banda editou entre 1987 e 2011. Apesar de os clássicos incontornáveis, como ‘Carraspana’, ‘Furo na Cabeça’, ‘Sol da Caparica’, ‘Alerta Geral’, ‘Paulinha’ ou ‘Gingão’ (para mencionar apenas alguns) terem levado a plateia ao rubro, desencadeando algumas eclosões de mosh entusiástico e de crowd surf, os temas dos trabalhos mais recentes – como ‘Cai no Real’, ‘Já Foste’, ‘Estrela da Têvê’ ou ‘(Tu És) Só Mais Um’ – foram também bem recebidos e muito participados, com muita gente a cantar os refrões e vários conhecedores a reproduzir mesmo as letras da primeira à última palavra.
Uma das particularidades do evento, e que lhe conferiu sem dúvida um cariz ainda mais especial, foram as intervenções dos vários convidados especiais, e em particular de antigos membros da banda. Orlando Cohen participou no tema ‘Família em Stress’ e Nuno Rafael em ‘Orgia Paroquial’; a subida ao palco de João Pedro Almendra causou grande efusão no público e levou a multidão ao rubro com a sua interpretação de ‘Paulinha’, um dos temas mais populares dos Peste. Outras participações especiais incluíram Jonhie (Simbiose), no tema ‘Alerta Geral’, e Ian Mucznik (Rat Swinger) em ‘Revolução Rock’.
O concerto terminou, já no encore, de forma catártica e num clima bastante acalorado e festivo, com um palco apinhado e com os Peste acompanhados não só dos convidados já mencionados mas também de João Ribas, Ruka e Jaime dos Tara Perdida, chamados ao palco por João San Payo para participarem no tema ‘Chuta Cavalo’, que a banda interpretou no CD de tributo incluído no livro comemorativo dos 25 anos dos Peste & Sida (ver vídeo do tema num post anterior).
O concerto terminou, já no encore, de forma catártica e num clima bastante acalorado e festivo, com um palco apinhado e com os Peste acompanhados não só dos convidados já mencionados mas também de João Ribas, Ruka e Jaime dos Tara Perdida, chamados ao palco por João San Payo para participarem no tema ‘Chuta Cavalo’, que a banda interpretou no CD de tributo incluído no livro comemorativo dos 25 anos dos Peste & Sida (ver vídeo do tema num post anterior).
(João San Payo, João Ribas e João Pedro Almendra)
Terminado o concerto, pouco antes da 1h da manhã, a festa continuou, com muita animação e convívio, especialmente na zona do bar e junto à banca de merchandising dos Peste, onde o livro comemorativo Peste & Sida: 25 anos de Veneno e o CD de tributo (incluídos na entrada) podiam ser levantados e autografados pelos membros da banda, o que contribuiu para prolongar (e individualizar) a proximidade e a estreita interação estabelecida entre os Peste e o público e que pautou este concerto que perdurará decerto na memória. Numa ação espontânea, e que rapidamente se disseminou, muitos foram aqueles que decidiram imortalizar a noite ‘personalizando’ os seus livros com autógrafos dos amigos, conhecidos e ainda de outros músicos presentes no evento e referidos no livro.
A noitada de música continuou pela noite fora, até ao encerramento do espaço, por volta das 4 da manhã, assegurada pelos DJs Billy e Dub Dub. Pela mão do DJ Billy continuámos a percorrer três décadas de punk rock nacional e internacional, a confirmar (para quem tiver dúvidas) que o punk, tal como as famílias, os amigos ou as bandas, é uma entidade dinâmica, pautada por diversas influências, tendências e mutações, mas que continua bem vivo e de boa saúde, renascendo e renovando-se a cada novo trabalho, e a cada concerto, quer de bandas consagradas e/ou de longa carreira como os Peste & Sida, quer também de bandas mais jovens e menos conhecidas que compõem o meio musical dito underground. Bandas que, não obstante as múltiplas dificuldades que todos enfrentamos nesta era negra do capitalismo darwinista, continuam a utilizar a música como uma forma de comunicação coletiva de valores humanistas, democráticos e de crítica social e política. Os 25 Anos dos Peste & Sida comprovam que quer lhe chamemos punk, quer rock de combate (uma expressão muito utilizada no livro comemorativo), este rock rápido, rebelde, crítico, desafiante e interventivo continua a fazer sentido e a ser cultural e socialmente pertinente e necessário.
Tal como se pode ler numa das citações de abertura do livro Peste & Sida 25 Anos de Veneno, “punk não é só a música. Punk é um estilo de vida”. É essa forma de estar na vida que está patente na obra que os Peste edificaram ao longo do último quarto de século e nos trabalhos mais recentes da banda, Cai no Real (2007) e Não Há Crise (2011), e que mais uma vez se materializou neste concerto especialíssimo que promete repetir-se no Porto, já no próximo dia 21 de Abril. Para citar os próprios Peste (no tema ‘Chegámos ao Fim’), “segurem-se!”
Fica o alinhamento do concerto e um vídeo do medley final.
Uma extensa reportagem fotográfica do concerto pelo fotográfo Vítor 'Schwantz' Barros encontra-se disponível aqui.
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Fica o alinhamento do concerto e um vídeo do medley final.
Uma extensa reportagem fotográfica do concerto pelo fotográfo Vítor 'Schwantz' Barros encontra-se disponível aqui.
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Setlist/alinhamento:
História de Loucos
Está na Tua Mão
Cai no Real
Já Foste
Carraspana
Bule Bule
Família em Stress (c/ Orlando Cohen)
Furo na Cabeça
Alerta Geral (c/ Johnie)
Revolução Rock (c/ Ian Mucznik)
Sol da Caparica
Cidade Veneno
Estrela da Têvê
Orgia Paroquial (c/ Nuno Rafael)
Canção de Lisboa
Funky Riot
A História é Velha
Paulinha (c/ João Pedro Almendra)
Gingão/Reggaesida
Chegou a tua Hora
Encore:
(Tu És) Só Mais Um
Alcides Pinto
Peste Até ao Fim
Medley (Veneno+Portem-se Bem+Chuta Cavalo)
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12 abril 2012
Tara Perdida: 'Chuta Cavalo'
Ainda no âmbito do concerto de apresentação do livro Peste & Sida - 25 Anos de Veneno, agendado para amanhã, sexta-feira 13, na República da Música em Alvalade, Lisboa (ver último post), aqui fica um vídeo do 'making of' do tema 'Chuta Cavalo' (na verdade, uma espécie de medley dos temas 'Chuta Cavalo' e 'Vamos ao Trabalho'), incluído no CD de Tributo que faz parte deste livro, interpretado pelos Tara Perdida.
Neste CD participaram ainda as seguintes bandas/projetos: Xutos & Pontapés; Simbiose; Decreto 77; Barafunda Total; Manuel João Vieira; RatSwinger; Galandum Galundaina; Primata Robot; Albert Fish; Zero à Esquerda; Resposta Simples; Winterspring; Asfixia; Boca Doce; Grog; Defying Control; Vira Lata e Gilberts Feed Band.
Para todas as informações sobre este concerto imperdível basta visitar a página do evento no facebook, aqui.
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11 abril 2012
Destaque da Semana: 'Peste & Sida - 25 Anos de Veneno'
O concerto de lançamento do livro Peste & Sida: 25 Anos de Veneno, da autoria de Augusto Figueira e de Renato Conteiro, é sem dúvida o evento musical digno de especial destaque esta semana. O livro inclui um CD de tributo à banda, com quase duas dezenas de temas da longa carreira dos Peste interpretados por músicos/bandas convidados (ver nota de imprensa, abaixo). O bilhete para este concerto inclui o livro e o CD.
O evento terá lugar na próxima sexta-feira, 13 de Abril, na República da Música em Alvalade, e contará ainda com a participação do DJ Billy e dos convidados especiais (e antigos elementos da banda) João Pedro Almendra, Orlando Cohen e Nuno Rafael.
Haverá ainda um outro concerto de apresentação do livro no dia 21 de Abril no Hard Club (Porto).
Fica a sugestão de um evento que será decerto muito especial.
Fica também o link para a página do evento no facebook, que contém todas as informações, assim como a respetiva nota de imprensa:
"Os Peste & Sida vão celebrar os 25 anos de carreira com a edição de um livro e dois concertos em Lisboa e no Porto.
Com edição da Ulmeiro Editora, “Peste & Sida– 25 anos de Veneno” assinala a já longa carreira da banda lisboeta:
“Assinado por Augusto Figueira e Renato Conteiro, com prefácio de Miguel Cadete, o livro promete ser o retrato fiel do percurso da banda que pôs o país inteiro a cantar o“Sol da Caparica”, através de dezenas de testemunhos e de centenas de imagens, numa escrita leve e directa, bem ao estilo da banda. O livro inclui um CD tributo com várias participações de bandas portuguesas” (nota de imprensa)
Concertos de lançamento do livro:
- Dia 13 de Abril (6ªf) – 22h00 | Repúblicada Música (Alvalade/ Lisboa)
- Dia 21 de Abril (sab) – 22h00 | Hard Club (Porto)
- Dia 13 de Abril (6ªf) – 22h00 | Repúblicada Música (Alvalade/ Lisboa)
- Dia 21 de Abril (sab) – 22h00 | Hard Club (Porto)
Participaram no CD Tributo “25 anos de Veneno” os seguintes projectos:
Xutos & Pontapés;T ara Perdida; Simbiose; Decreto 77; Barafunda Total; Manuel João Vieira; RatSwinger; Galandum Galundaina; Primata Robot; Albert Fish; Zero à Esquerda; Resposta Simples; Winterspring; Asfixia; Boca Doce; Grog; Defying Control; ViraLata; Gilberts Feed Band."
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14 julho 2011
João San Payo (Peste & Sida) é convidado especial dos Tara Perdida
(Fonte: Tara Perdida - página do facebook)
Os Tara Perdida anunciaram ontem na página da banda no facebook a participação de um convidado especial no seu concerto de amanhã, objecto do post anterior.
Trata-se de João San Payo, vocalista, frontman e membro fundador da emblemática banda nacional Peste & Sida, que comemora este ano o 25º aniversário.
Esta presença confere de facto um toque especial ao evento, ainda mais com a expectativa de uma improvável simbiose, nomeadamente a interpretação dos Tara Perdida de um tema de Peste& Sida.
É um bom pretexto para recordarmos a passagem memorável dos Peste & Sida por Beja, no passado mês de Maio, no âmbito da tour de promoção do seu mais recente - e excelente - trabalho, Não Há Crise, com este vídeo do tema 'Já Foste'.
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27 maio 2011
Peste & Sida Actuam Hoje em Beja
É um dos destaques da semana aqui no A Crack in the Cloud e, já na contagem decrescente para o concerto desta noite, fica o alinhamento do concerto de apresentação do novo trabalho, que aconteceu em Lisboa no passado dia 7 de Maio, assim como o vídeo de mais um dos temas novos interpretados. (Foto e vídeo de João Miguel Silva).
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26 maio 2011
Peste & Sida amanhã em Beja
Fotos e vídeos: João Miguel Silva.
Este post inclui os vídeos de "Carraspana", "Estrela da Têvê" e "Sémen", interpretados ao vivo pelos Peste & Sida.
É já amanhã que os Peste & Sida actuam em Beja no âmbito da tournée de divulgação do novo trabalho, Não Há Crise, com várias datas agendadas um pouco por todo o país.
O concerto de Beja terá lugar amanhã, sexta 27 de Maio na Galeria do Desassossego.
Em jeito de 'warm-up' para o concerto, aqui ficam algumas fotos e vídeos da apresentação deste novo trabalho, que se realizou no Santiago Alquimista no passado dia 7, e que mereceu destaque e reviews em vários media nacionais - aqui ficam os links para os textos do IOL Música e do Cotonete.
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Billy-News: Review do novo trabalho dos Peste & Sida
É um dos destaques da semana no A Crack in the Cloud: os Peste & Sida actuam já amanhã em Beja (Galeria do Desassossego), no âmbito da tour de divulgação do seu mais recente trabalho, sugestiva e decerto ironicamente intitulado Não Há Crise.
Para quem ainda não conhece o novo álbum dos Peste, aqui ficam alguns excertos e a recomendação da leitura integral da excelente review feita há alguns dias por Billy, autor do conceituado blog nacional Billy-News.
""Não Há Crise" traz mesmo bastantes surpresas a nível da sonoridade. A começar pelo regresso de João San Payo à vocalização da totalidade dos temas."
(...)
"Para além das novidades, leva-nos numa ´viagem` ao universo Peste & Sida que atravessa alguns dos álbuns antigos da banda."
(...)
"São dez temas em quase 33 minutos que trazem definitivamente uma sonoridade fresca dos Peste, agora em trio (ao vivo com apoio de Ricardo Barriga)."
Para ler a review na íntegra basta clicar aqui.
O single de apresentação do álbum, 'Já Foste', encontra-se disponível para audição no website da banda.
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07 maio 2011
Destaques do Dia
Foram dois dos destaques da semana no A Crack in the Cloud, e ficam as propostas musicais para o fim-de-semana (ver posts anteriores alusivos a ambos os eventos):
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03 maio 2011
Peste & Sida: Lançamento do novo trabalho
É um dos destaques da semana do A Crack in the Cloud, e será, sem dúvida, um dos acontecimentos musicais do ano em Portugal. O lançamento do mais recente trabalho dos Peste & Sida, sugestivamente intitulado Não Há Crise, tem data marcada já para o próximo sábado, 7 de Maio, no Santiago Alquimista.
Peste & Sida: Lançamento do novo trabalho, tour e comemoração de 25 anos de carreira
Os Peste & Sida são uma das bandas de referência nacional e comemoram este ano 25 anos de existência. A data não poderia ser assinalada da melhor forma: para além do lançamento deste novo álbum, e de vários concertos de promoção/divulgação um pouco por todo o país (e não só no continente), haverá ainda a edição de um CD de tributo e de uma biografia da banda, da autoria de Augusto Figueira e Renato Conteiro (também autores do excelente Censurados Até Morrer, de 2006).
O lançamento de Não Há Crise em destaque nos media nacionais
O lançamento do novo trabalho dos Peste & Sida tem sido alvo de interesse e cobertura por parte dos media nacionais. Neste âmbito destaque-se a excelente entrevista concedida por João San Payo ao suplemento "Vidas" do jornal Correio da Manhã, que pode ser lida, na íntegra, no blog Billy-News, aqui.
Peste & Sida lançam repto aos fãs
Os Peste & Sida foram também entrevistados na Antena 3, no passado domingo, e lançaram um repto aos fãs da banda, para que compareçam em força no próximo sábado, para juntos fazerem a festa do lançamento do novo trabalho, mas sem dúvida também para comemorar estes 25 anos de existência.
Passatempo Peste & Sida no Santiago Alquimista no blog Billy-News
Está a decorrer no blog Billy-News um passatempo que sorteará 5 entradas simples para este concerto. Para concorrer, basta clicar aqui, e seguir todas as indicações.
Não Há Crise (2011)
O bilhete do concerto inclui o CD, que contém 10 faixas e o seguinte alinhamento:
01- A História é Velha
02- Já Foste
03- Estrela da Têvê
04- (Tu és) Só Mais Um
05- Chegou a Tua Hora
06- Esquizóide Paranóide
07- Paga o Dízimo ao Pastor
08- Batida Nova
09- Espalha Brasas
10- Sem Rede
Ainda de acordo com o press release emitido pela banda, o álbum foi
"gravado nos estúdios “Aqui há Gato” o disco foi co-produzido pela banda e por Emanuel Ramalho, que já colaborou com a banda nos discos “Portem-se bem” e “Eles andam aí”. O novo disco conta com a participação de Gui (safoxone) no tema Já Foste. Ao vivo a banda conta com a presença do músico convidado Ricardo Barriga (guitarra)."
Fica o link para o site oficial dos Peste & Sida, onde a banda disponibilizou para audição gratuita, há algumas semanas, o tema e cartão de visita de Não Há Crise - "Já Foste".
Fica também a sugestão, e o repto, do A Crack in the Cloud: vamos encher o Santiago Alquimista e comemorar da melhor forma o lançamento do mais recente trabalho desta emblemática banda nacional, que ao longo de 25 anos tem insistido em dar-nos muito boa música, não descurando a mensagem de crítica e intervenção.
Fica também a sugestão, e o repto, do A Crack in the Cloud: vamos encher o Santiago Alquimista e comemorar da melhor forma o lançamento do mais recente trabalho desta emblemática banda nacional, que ao longo de 25 anos tem insistido em dar-nos muito boa música, não descurando a mensagem de crítica e intervenção.
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21 janeiro 2011
Fim-de-semana com muita música...para reflectir
Aproxima-se um fim-de-semana que convida à reflexão, e nem de propósito estão agendados, em vários pontos do país, concertos de excelentes bandas nacionais cuja música é, diria eu, ideal para nos ajudar a reflectir...
No âmbito da sua mini-tournée nacional, os Gazua (bem acompanhados por DJ Billy e pelos Asfixia) actuam hoje no Bar Alfa, em Leiria.
A começar bem o ano, os alentejanos Ventas de Exterko deslocam-se ao sul do país para duas actuações, hoje em Faro, amanhã em Aljezur.
Os irreverentes R12 actuam também amanhã, na Lapa (Cartaxo) (ver destaques na barra lateral), e não deixarão com certeza (esperamos) de brindar o público com o elucidativo
"ka-va-ku".
"ka-va-ku".
(Aproveitamos para recordar mais uma vez que o excelente trabalho Boletim Agrário (2008) dos R12 (que inclui o tema referido) se encontra disponível para download gratuito aqui.
Ficam três vídeos de temas (bem conhecidos) relacionados com o acontecimento nacional do momento. Não deixa de ser muito significativo que dois deles, apesar da sua indiscutível actualidade, tenham surgido durante o longo - e inesquecível - reinado cavaquista.
O terceiro tema, "Sem eira nem beira", que surpreendeu os seus autores por ter sido apropriado para um protesto popular contra o Primeiro-Ministro, é, segundo Kalu, baterista dos Xutos & Pontapés (que a vocaliza), "mais um grito de revolta (...) um alerta para o estado da Justiça e para uma classe política em geral que, volta e meia, toma atitudes que deixam os cidadãos desamparados".
Não podíamos concordar mais, com excepção, é claro, da expressão "volta e meia", que nos parece dispensável e pouco acertada.
O terceiro tema, "Sem eira nem beira", que surpreendeu os seus autores por ter sido apropriado para um protesto popular contra o Primeiro-Ministro, é, segundo Kalu, baterista dos Xutos & Pontapés (que a vocaliza), "mais um grito de revolta (...) um alerta para o estado da Justiça e para uma classe política em geral que, volta e meia, toma atitudes que deixam os cidadãos desamparados".
Não podíamos concordar mais, com excepção, é claro, da expressão "volta e meia", que nos parece dispensável e pouco acertada.
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23 novembro 2010
Música e Luta: Outlook da Semana
É uma semana importante esta que se inicia. Uma semana de luta, marcada por uma greve geral que, esperemos, assuma uma dimensão expressiva, demonstrando assim claramente a consciência geral da situação real do país, da ofensiva em curso contra quem trabalha e aufere rendimentos baixos e médios, e das dificuldades reais experimentadas por muitos milhares de portugueses, e que se agudizarão, de uma forma que ainda não conseguimos antever, já nos próximos meses.
Muitos não farão greve por simples comodismo. Outros para não perder o vencimento diário. Outros por medo de represálias, particularmente de serem despedidos, a espada de Damocles que paira sobre as cabeças de quase todos os que ainda têm emprego, muitos dos quais, tendo abraçado o maravilhoso mundo do consumismo que sustenta a economia neoliberal (mea culpa), "agarrados " ('by the balls', podíamos acrescentar) ao crédito do carro, ao empréstimo da casa, à mensalidade da net, da TV cabo, enfim, a um conforto legítimo mas inimaginável até há apenas umas décadas. Um conforto que apesar de abrangente não foi nem é para todos, e que cada vez será para menos, à medida que se tenha de deixar de ter net, TV cabo, carro, casa, e quem sabe comida na mesa.
Esta é já a realidade de muitos, e um primeiro grande passo no sentido de uma sociedade mais humana e mais solidária seria decerto conseguirmos lutar não só pelos nossos interesses pessoais, mas pelo bem comum. É essa uma das grandes lições que a história recente nacional - da resistência e luta anti-fascistas - nos ensina, e que não podemos esquecer. O nosso medo é um insulto à memória de todos os que lutaram (também) por nós, e um passo atrás no percurso democrático.
Esta é já a realidade de muitos, e um primeiro grande passo no sentido de uma sociedade mais humana e mais solidária seria decerto conseguirmos lutar não só pelos nossos interesses pessoais, mas pelo bem comum. É essa uma das grandes lições que a história recente nacional - da resistência e luta anti-fascistas - nos ensina, e que não podemos esquecer. O nosso medo é um insulto à memória de todos os que lutaram (também) por nós, e um passo atrás no percurso democrático.
A música sempre foi uma componente fundamental de qualquer luta, e é uma forma importante de expressão e de crítica social e política. Essa é uma característica comum dos eventos que destacamos esta semana: já amanhã, a actuação de vários artistas em Lisboa, entre os quais destacamos os Peste & Sida, no âmbito das actividades da Greve Geral; na sexta-feira, o concerto dos R12 e dos Re-Censurados (Side-B, Benavente), e sábado, a 3ª Punk Rock Session organizada pelos DJs Billy e Merton (autores dos blogs Billy-News e Rock no Liceu), dedicada aos GBH e ao 'UK82'.
Fica o tema "Stand Against Them All", do álbum We Are All We Have (2009) dos The Casualties, herdeiros do UK82, também conhecido como 'No Future Punk'.
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04 setembro 2010
Peste & Sida amanhã na Festa do Avante
Este post inclui os vídeos de "Cai no Real" dos Peste & Sida e de "Para Todos" dos Gazua, ao vivo na Festa do Avante.
Não fosse pelas notícias veiculadas pelos principais media nacionais (ver por exemplo a notícia do Público, aqui) seria difícil acreditar que este despretensioso cartaz pudesse ter incomodado certos políticos portugueses ao ponto de os levar a mobilizar recursos autárquicos - desviando-os de outras tarefas mais úteis e necessárias? - para a sua persistente remoção... Hilariante? sem dúvida, apesar de 'tragicómico' ser talvez o adjectivo mais adequado à acção em causa e, em grande medida, à vida político-partidária nacional.
Sem pretender perorar sobre a indiscutível relevância que esta Festa detém, limito-me a mencionar a diversidade e a riqueza do seu programa musical, também responsáveis pela sua popularidade e sucesso...independentemente dos cartazes que se encontram afixados um pouco por todo o país, na maioria dos casos sem perturbarem a paz de espírito dos respectivos autarcas, decerto preocupados com questões mais prementes e de outra natureza.
Destacamos aqui a actuação dos Peste & Sida, agendada para amanhã cerca das 21h e que sem dúvida fechará esta festa da melhor forma.
Ficam assim, para recordar, os vídeos de duas GRANDES bandas nacionais ao vivo em edições passadas da Festa do Avante: "Cai no Real" dos Peste & Sida (Festa do Avante 2007) e "Para Todos" dos Gazua (Festa do Avante 2009).
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22 maio 2010
Peste & Sida hoje em Lisboa: ao vivo, a cores, e à borla!
Este post inclui o vídeo do concerto dos Peste & Sida no In Live Caffé (2008).
Como destacado ao longo desta semana no A Crack in the Cloud, os Peste & Sida actuam hoje no Largo Camões em Lisboa, num concerto gratuito integrado no programa do 9º Congresso da JCP, que se realiza este fim-de-semana.
Prestes a completar 25 anos de existência, e de uma carreira recheada de sucesso, os Peste & Sida são merecida e indiscutivelmente uma das bandas de topo da cena musical portuguesa.
Os Peste & Sida são também um exemplo paradigmático de que (como se dizia no último post) a música, tal como a identidade (ou seja, aquilo que somos) é não só uma questão de estética como de ética. No caso dos Peste & Sida, a ética, a responsabilidade e o sentido cívicos são assumidos com frontalidade nas letras das suas músicas, que combinam a perspicácia e acutilância sociais e políticas com uma qualidade estética dificilmente igualada no panorama musical actual (muito especialmente no último trabalho, Cai no Real (2008)).
A música dos Peste & Sida tem ainda a rara característica de nos oferecer um potencial imenso de fruição, barrando-nos ao mesmo tempo qualquer possibilidade de escapismo, de evasão anestesiante à realidade em que vivemos. Podemos dançar alegremente ao som de "Cidade Veneno", mas é com embaraço, e mesmo com um incómodo profundo, que o tema persistente e impiedosamente nos assola a mente no caminho para o centro comercial:
"Como um animal de abate, carne, sangue da manada
Só ruminas, não fazes nada,
Passa-te ao lado o roubo neoliberal
Vives a cultura do gueto comercial"
Enquanto aguardamos com expectativa e alguma ansiedade o novo trabalho dos Peste & Sida, e especialmente para quem não tem a possibilidade de participar no concerto de logo há noite, fica o vídeo de um outro concerto excelente, desta feita no In Live Caffé, Moita, em 2008.
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02 maio 2010
1 de Maio, Street War Fest 5 e a (não) comercialização do lazer (Parte 1)
Este post inclui o vídeo de "Cidade Veneno" dos Peste & Sida.
O fecho da esmagadora maioria das superfícies comerciais ontem, 1 de Maio, feriado nacional, Dia Internacional do Trabalhador, e do Street War Fest 5, um evento musical gratuito, na Academia Recreativa de Linda-a-Velha, motivaram a reflexão que se segue e que, pela sua extensão, será dividida em dois posts, um mais ‘teórico’ sobre o dia 1 de Maio e sobre a individualização e comercialização do lazer, e outro mais ‘ligeiro’, com algumas notas e fotos do Street War Fest.
Tal como vários analistas sociais/culturais contemporâneos têm enfatizado, uma das características do “hipercapitalismo” (Lipovetski e Serroy 2008) actual é a transformação de quase todas as esferas das nossas existências em momentos e produtos de consumo. As horas de sono e de trabalho (para aqueles que ainda têm emprego…) são hoje quase o último reduto não invadido pelo capitalismo alienante, predador e destrutivo.
Num livro fascinante e muito esclarecedor, The Leisure Society (A Sociedade do Lazer), Jeremy Seabrook analisa a tomada do lazer pelo mercantilismo (hiper)capitalista (uma redundância, eu sei), de tal modo que a inactividade – o não se fazer nada – se tornou quase uma blasfémia.
De igual modo, os ‘antigos’ e tradicionais passatempos, especialmente aqueles que não implicam consumo, têm sido ideológica e persistentemente descredibilizados, rotulados de antiquados ou desinteressantes( muitos já não existem mesmo).
Que percentagem da população vai hoje para os jardins ou parques públicos nos seus tempos livres, por exemplo, em detrimento dos famigerados centros ou “guetos” comerciais (como acertadamente lhes chamam os Peste & Sida)?
Mesmo certos hobbies, como por exemplo os desportos, foram institucionalizados e ‘profissionalizados’ (ou melhor, comoditizados), de tal forma que hoje qualquer prática desportiva implica o dispêndio de uma quantia variável de dinheiro, quer na compra da indumentária da moda (que está sempre a mudar), quer da ‘tecnologia’ mais recente e completa: a título de exemplo veja-se o aumento do espaço dedicado a artigos de caça e pesca nos hipermercados ou do número de lojas especializadas nas mais variadas áreas do lazer (não apenas desportivo).
Outra tendência visível é a da individualização do lazer: enquanto que até há algumas décadas atrás os tempos livres eram ocupados com actividades colectivas, hoje eles são preenchidos com actividades de consumo, onde a companhia se torna uma distracção incómoda do objectivo principal: comprar algo supérfluo ilusoriamente considerado imprescindível.
E por isso mesmo, o Dia do Trabalhador, anteriormente celebrado (mais) massivamente na rua, colectivamente, e com um cariz eminentemente político, foi ontem para muita gente motivo de grande desorientação, perante a impossibilidade do consumo. Como privação de uma qualquer dependência, ela foi prontamente compensada logo que possível, ou seja, hoje, com uma acorrência sôfrega e doentia ao templo de consumo mais próximo.
Raymond Williams, um grande teórico marxista britânico, diz que “a história nos ensina a maior parte do passado conhecível e a do futuro imaginável”. Talvez valha a pena, mesmo já findo mais este dia histórico, lembrar a origem do Dia Internacional do Trabalhador: nomeadamente o chamado Massacre de Haymarket, em Chicago, 1886, quando a polícia disparou e matou vários trabalhadores que participavam numa greve geral em defesa das 8 horas de trabalho por dia! É a este grupo de homens comuns, cujos nomes desconhecemos, porque deles “não reza a história”, que devemos algumas das nossas preciosas horas de lazer diário!
Numa altura em que muitos trabalhadores são ‘obrigados’ a trabalhar mais do que as 8 horas diárias, muitas vezes sem pausas, e sem a devida remuneração, sob a ameaça de perderem o posto de trabalho “que muitos queriam ter”, talvez valha a pena retirar algumas lições da história que nos permitam imaginar (e pensar em lutar conjuntamente por) um futuro melhor para a maioria.
Continua...
(Nota: Para ouvir e ver "Cidade Veneno" escolher a faixa 5 da lista que surge no menu "tracks" do vídeo deste concerto dos Peste & Sida, realizado no In Live Caffé - Moita).
Tal como vários analistas sociais/culturais contemporâneos têm enfatizado, uma das características do “hipercapitalismo” (Lipovetski e Serroy 2008) actual é a transformação de quase todas as esferas das nossas existências em momentos e produtos de consumo. As horas de sono e de trabalho (para aqueles que ainda têm emprego…) são hoje quase o último reduto não invadido pelo capitalismo alienante, predador e destrutivo.
Num livro fascinante e muito esclarecedor, The Leisure Society (A Sociedade do Lazer), Jeremy Seabrook analisa a tomada do lazer pelo mercantilismo (hiper)capitalista (uma redundância, eu sei), de tal modo que a inactividade – o não se fazer nada – se tornou quase uma blasfémia.
De igual modo, os ‘antigos’ e tradicionais passatempos, especialmente aqueles que não implicam consumo, têm sido ideológica e persistentemente descredibilizados, rotulados de antiquados ou desinteressantes( muitos já não existem mesmo).
Que percentagem da população vai hoje para os jardins ou parques públicos nos seus tempos livres, por exemplo, em detrimento dos famigerados centros ou “guetos” comerciais (como acertadamente lhes chamam os Peste & Sida)?
Mesmo certos hobbies, como por exemplo os desportos, foram institucionalizados e ‘profissionalizados’ (ou melhor, comoditizados), de tal forma que hoje qualquer prática desportiva implica o dispêndio de uma quantia variável de dinheiro, quer na compra da indumentária da moda (que está sempre a mudar), quer da ‘tecnologia’ mais recente e completa: a título de exemplo veja-se o aumento do espaço dedicado a artigos de caça e pesca nos hipermercados ou do número de lojas especializadas nas mais variadas áreas do lazer (não apenas desportivo).
Outra tendência visível é a da individualização do lazer: enquanto que até há algumas décadas atrás os tempos livres eram ocupados com actividades colectivas, hoje eles são preenchidos com actividades de consumo, onde a companhia se torna uma distracção incómoda do objectivo principal: comprar algo supérfluo ilusoriamente considerado imprescindível.
E por isso mesmo, o Dia do Trabalhador, anteriormente celebrado (mais) massivamente na rua, colectivamente, e com um cariz eminentemente político, foi ontem para muita gente motivo de grande desorientação, perante a impossibilidade do consumo. Como privação de uma qualquer dependência, ela foi prontamente compensada logo que possível, ou seja, hoje, com uma acorrência sôfrega e doentia ao templo de consumo mais próximo.
Raymond Williams, um grande teórico marxista britânico, diz que “a história nos ensina a maior parte do passado conhecível e a do futuro imaginável”. Talvez valha a pena, mesmo já findo mais este dia histórico, lembrar a origem do Dia Internacional do Trabalhador: nomeadamente o chamado Massacre de Haymarket, em Chicago, 1886, quando a polícia disparou e matou vários trabalhadores que participavam numa greve geral em defesa das 8 horas de trabalho por dia! É a este grupo de homens comuns, cujos nomes desconhecemos, porque deles “não reza a história”, que devemos algumas das nossas preciosas horas de lazer diário!
Numa altura em que muitos trabalhadores são ‘obrigados’ a trabalhar mais do que as 8 horas diárias, muitas vezes sem pausas, e sem a devida remuneração, sob a ameaça de perderem o posto de trabalho “que muitos queriam ter”, talvez valha a pena retirar algumas lições da história que nos permitam imaginar (e pensar em lutar conjuntamente por) um futuro melhor para a maioria.
Continua...
(Nota: Para ouvir e ver "Cidade Veneno" escolher a faixa 5 da lista que surge no menu "tracks" do vídeo deste concerto dos Peste & Sida, realizado no In Live Caffé - Moita).
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18 novembro 2009
Peste & Sida Parte 2: Concerto de Sexta-feira 13...para mais tarde recordar
No decurso do último post, e a pedido de muitas famílias, aqui ficam umas palavras sobre o último concerto dos Peste & Sida na passada sexta-feira no Teatro da Comuna.
Há qualquer coisa de especial em certos locais de espectáculo, como se a história dos edifícios propiciasse um determinado ambiente. No caso do Teatro da Comuna, casarão cor-de-rosa da Praça de Espanha, anteriormente lar de mães solteiras da Misericórdia (1), a atmosfera era de familiaridade, acolhimento e bem-estar, vagamente reminiscente das antigas sociedades recreativas.O contraste com o último concerto dos Peste & Sida a que assistira recentemente era gritante: no primeiro, realizado num pavilhão amplo e frio, o espectáculo musical fora claramente acessório à festa académica por excelência: beber até cair. Na Comuna, pelo contrário, os Peste & Sida eram não só o principal como o único motivo de congregação das muitas pessoas que ali acorreram. Em suma, uma festa para fãs e uma reunião de amigos a contribuir para o ambiente acima descrito.
O “Alerta Geral” foi dado à hora mágica, dando início àquilo que poderíamos descrever como um crash course em Peste & Sida ou uma viagem alucinante no tempo e na história desta mítica banda portuguesa, com direito ao desfile de muitos clássicos – como “Paulinha”, “Sol da Caparica”, “Família em Stress”, “Chuta Cavalo”, “Vamos ao Trabalho”, etc. – metralhados isoladamente ou em formato medley. Mas também não faltaram temas do espectacular último trabalho, como “Cai no Real” (com a participação de Jonhie, dos Simbiose), “Bebe Vinho”, “Revolução Rock”, “Canção de Lisboa”, “Acredita” e “Chegámos ao Fim”. A energia contagiante da banda, e as complicadas piruetas do felino Autista (João Pedro Almendra), repercutiam-se num público animado e participativo, a quem não se dava tréguas: “dancem, mas saltem também!”.
No final desta mini-maratona musical em que alguma preparação física constituiu uma importante mais-valia, o público rendido não estava preparado para a surpresa da noite: o encerramento do espectáculo com o clássico dos Ramones “Sheena is a Punk Rocker”, cantado por João Ribas (Censurados/Tara Perdida/Kamones) num palco repleto e em festa, com os Peste rodeados de amigos como Ribas, Billy (Billy-News) e Jonhie (Simbiose). Para quem estava na assistência foi um momento especial e algo comovente. Por breves momentos, estivemos mais perto, e muito perto, de Alvalade: outros tempos, os mesmos protagonistas.
(1) Página do Teatro da Comuna (http://www.comunateatropesquisa.pt/pt/aComuna_01.html)
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17 novembro 2009
Peste & Sida até ao fim...e que o melhor esteja para vir!
Com um espectáculo verdadeiramente estrondoso, os Peste & Sida deram por concluída a tournée do seu último álbum, Cai no Real, na passada sexta-feira 13 no Teatro da Comuna, com o anúncio de um novo trabalho para o próximo ano. Julguei por isso oportuno fazer aqui um pequeno balanço da sua actividade e produção recentes.
A ‘herança’ da banda e a notoriedade alcançada logo com o 1º álbum de originais – Veneno (1987) – fazem com que os Peste & Sida sejam por vezes remetidos para o passado, equacionados fundamentalmente com um período sem dúvida marcante quer da história da banda quer do punk português. Cite-se exemplificativamente a referência do Destak online ao concerto de sexta-feira como o “Renascimento dos Peste e Sida”. Esta crassa ignorância e erro grosseiro são particularmente irritantes de ouvir ou ler.
Como qualquer pessoa minimamente informada e não totalmente estúpida sabe (ou procura saber…), os Peste & Sida ‘renasceram’ há já vários anos, e têm estado particularmente activos desde então, não só em termos de produção discográfica como de prestações ao vivo. Na verdade, os Peste & Sida nunca estiveram tão bem como na década actual, com Tóxico, editado em 2004, e Cai no Real (2007). Este último trabalho marca indiscutivelmente o apogeu daquela que é, sem margem de dúvida, uma das bandas portuguesas de topo da actualidade – por muito que tal seja ignorado, e até contrariado, pelos media nacionais.
Os Peste & Sida são possuidores de um estilo muito próprio – talvez único – que ilude a classificação fácil (e provavelmente inútil), tal é a complexa mistura de géneros e subgéneros musicais que marcam a formação e evolução musical deste colectivo. Para além de uma sonoridade simultaneamente agressiva, divertida, imprevisível e extremamente dançável, os trabalhos mais recentes dos Peste & Sida destacam-se pela qualidade – literária? – e pela densidade social, cultural, política, das suas letras. A afirmação de João San Payo de que “o poder comunicativo que uma banda tem será desperdiçado se não aproveitarmos o tempo de antena para mexer com as consciências”(1), e a consciência de que a música não surge no vácuo, traduzem-se na abordagem de temas sociais e políticos da actualidade, como “Ska core eco” ou “Ska cáustico” de Tóxico.
Quanto a Cai no Real, a sátira sociocultural assume uma acutilância e perspicácia admiráveis: neste aspecto, as letras deste álbum são de uma qualidade sem paralelo no panorama nacional contemporâneo. “Bebe vinho” retrata de forma cáustica uma realidade muito portuguesa e não apenas rural, enquanto “Revolução Rock” actualiza e, em termos de mensagem, supera amplamente, o original dos The Clash (ver vídeo mais abaixo).
E que dizer da crítica acérrima ao potencial alienador e conformista da ética consumista do magistral tema “Cidade Veneno”?
“Como um animal de abate fazes parte da manada
Só ruminas, não fazes nada
Passa-te ao lado o roubo neo-liberal
Vives a cultura do gueto comercial”
Ou da clarividência da análise sociopolítica de “Entregues aos bichos”, que verbaliza a frustração e impotência de uma fatia decerto bastante significativa da população portuguesa? Para não falar da actualidade gritante de “Ernesto Desonesto” em tempos de faces ocultas, ou o vigoroso safanão de “Acredita (o Tempo…)”, que nos interpela sem rodeios:
Tens de te apressar se ainda queres crescer
Os dias correm lentos com as cenas habituais
(…)
Nestes tempos não há espaço para a apatia
É muita competição nesta selvajaria
(…)
Não te deixes ficar, pega em ti (…)”
Sabemos quais são as consequências do inconformismo, da crítica e da questionação neste “jardim plantado à beira mar” (rejeição, neutralização, menorização, etc.), e isso ainda torna mais louvável o trabalho dos Peste & Sida, amplamente reconhecido e devidamente apreciado por uma legião considerável de fãs dedicados, alguns dos quais presentes de corpo e alma no concerto de sexta-feira 13, com ou sem “Maldição”!!. Os mesmos fãs que esperam já com alguma ansiedade o próximo trabalho, e especialmente o próximo concerto, desta banda que – fazemos votos – continue a dar que falar … e calar!
(1) Luís OLIVEIRA (2007) “Peste & Sida: Rock de Combate”, Revista Underworld nº 24 (Setembro), disponível em http://www.underworldmag.org/.
Foto dos Peste & Sida: billy-news.blogspot.com/2009_07_01_archive.html
Foto dos Peste & Sida: billy-news.blogspot.com/2009_07_01_archive.html
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Citações: Peste & Sida sobre a Cimeira de Copenhaga? Podia ser...
Três dias depois de um concerto verdadeiramente memorável dos Peste & Sida, e um dia depois dos líderes dos dois países mais poluidores do globo, China e E.U.A., terem já admitido prévia e oficialmente o fracasso da Cimeira de Copenhaga, agendada para o próximo mês com o objectivo de chegar a um (mais um?) (pseudo)acordo internacional sobre a redução das emissões de CO2, vale a pena recordar estas linhas de "Ska Core Eco" dos Peste, da autoria de João San Payo (Tóxico, 2004):
“Está na moda, é uma mania
Já me chateia ouvir falar de ecologia
Oslo, Quioto, Rio de Janeiro,
Joanesburgo – cimeiras p’ró galheiro
Os ricos estão-se nas tintas p’rá questão
Riem-se e compram quotas de poluição
Está tudo nas mãos da polícia mundial
Dos mercados financeiros e das forças do mal
…e do grande capital!”
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11 novembro 2009
Dia de S. Martinho: Mata o Porco e Bebe o Vinho
Este post inclui: ementa de S. Martinho; vídeos: “Sopa” dos Censurados; “Até m’embebedar”, Tara Perdida, link para “Bebe Vinho”, Peste e Sida.
Hoje comemora-se o S. Martinho, uma festividade religiosa que oferece um óptimo pretexto para o convívio e para uma refeição calórica e bem regada (sem grandes abusos, que amanhã é dia de trabalho…)!
Peste e Sida "Bebe Vinho", clicar aqui e na música (no player).
Na verdade, este Santo é conhecido pela humildade, generosidade e partilha, qualidades sem dúvida intemporais. O episódio mais emblemático da vida de S. Martinho, nascido no séc IV da era cristã na região imperial da Panónia (actual Hungria), terá sido aquele em que partilhou a sua capa com um mendigo, que inspirou esta pintura de El Greco.
Website recomendado (de onde proveio esta informação e a imagem) http://smartinho.blogspot.com/ (sobre o Santo, a história da festividade, provérbios, etc.)
Seguindo o provérbio, aqui fica uma…
…Sugestão de ementa gastronómica (alentejana, claro!)
- Queijo de cabra gratinado com mel, passas e nozes, acompanhado de salada verde
- Secretos de porco preto recheados de farinheira e estufados em sumo de laranja, acompanhados de pommes dauphine e puré de maçã
- Bavaroise de castanhas com romã
- Monte dos Pelados (Tinto) 2004; Vinho licoroso da Vidigueira.
Ementa Musical, de algumas das melhores safras nacionais...
Peste e Sida "Bebe Vinho", clicar aqui e na música (no player).
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