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05 novembro 2009

Os Nirvana vistos por António Sérgio


Alguns excertos do Prefácio do livro Nirvana: Kurt Cobain (Ana Cristina Ferrão, Assírio e Alvim, 1995) escrito pelo malogrado António Sérgio:

Porque é que se continua a falar em Nirvana?

O que é que vale um simples nome duma banda de rock no imaginário de milhões de pessoas pelo mundo fora?

Tudo ou quase tudo!

De tempo a tempo há um artista, seja de que área cultural ou estética que consegue abrir as cerradas fileiras dos uniformizados do rock com rajadas de melancolia e loucura, de paz e conflito, de encanto e desencanto, silêncio e ruído. Um abrir de alas na turba silenciosa.
Nirvana era um abanar de estruturas, primeiro com certa timidez e muito no seio do metal, depois descaradamente nos territórios comercialões do rock e porque não da pop?!
Era um conto de fadas que teria um final de
film noir.

(…)
Para os mais ascetas, o Nirvana de «Bleach» seria sempre uma banda underground que granjeava as simpatias de todos os incompatibilizados com o Mundo; sucedeu que o número de gente, naquele estado, era bem mais do que se previa e, principalmente, o talento do nosso Kurt levava-o inevitavelmente a querer «beijar o Céu», tal qual décadas antes o fizera James Marshall Hendrix.
 Fonte: Ferrão, Ana Cristina (1995) Nirvana: Kurt Cobain. Prefácio de António Sérgio. Lisboa: Assírio e Alvim.

(Obrigada Mano por teres comprado o livro)




01 novembro 2009

Os lobos uivam esta noite: Morreu António Sérgio




António Sérgio, o “mestre da rádio”, que dedicou toda a sua vida profissional – desde 1968 até ao presente – intransigentemente à divulgação da música dita alternativa, faleceu ontem à noite. Detentor de uma voz única, assinou programas de culto tais como Rotação, Som da Frente, Lança Chamas, a Hora do Lobo (Rádio Comercial), etc., influenciando de forma marcante várias gerações de ouvintes.

Miguel Esteves Cardoso (Jornal Público 17.09.2007):
“A música de António Sérgio é a melhor e está tudo dito.
Claro que é preciso gostar de boa música - e de querer descobrir boa música nova - para perceber a grandeza e a utilidade brutal de António Sérgio. A nostalgia é um argumento inimigo. Hoje há muito mais música boa e muito mais música nova do que nos anos 80 ou 60. Mas continua a ser 0,1% de toda a música que se faz. (…)
É por haver tanta música hoje - e tanto acesso - que a sabedoria selectiva de António Sérgio é mais valiosa e necessária do que nos tempos ditos áureos em que, verdade se diga, não era assim tão difícil separar o trigo do joio. A música de António Sérgio é como a boa música: não se deixa interromper. É ele que não deixa. O homem sabe o que vale e o que tem de fazer. É escusado atravessarem-se no caminho dele. O que menos interessa é a estação de rádio.
A música de António Sérgio é a melhor e está tudo dito.”

Links úteis:
Perfil de António Sérgio (TSF): clicar aqui.Entrevista Blitz “António Sérgio: Bicho da rádio” disponível aqui.
Podcasts de programas de António Sérgio aqui.