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25 abril 2011

25 de Abril e 48, o documentário de Susana de Sousa Dias


Neste dia cuja importância histórica não é devidamente reconhecida, nem transmitida às gerações mais jovens, um insulto imperdoável a todos os que tanto sofreram e abdicaram das suas vidas pessoais em prol do bem comum, aqui fica a sugestão: 48, o documentário de Susana de Sousa Dias sobre a tortura pela PIDE, durante os 48 anos de ditadura fascista, cujo fim hoje - mais uma vez - se comemora, está em exibição, num número ridiculamente diminuto de salas de cinema, e decerto por muito pouco tempo.

Depois de ter passado praticamente despercebido em Portugal aquando do seu lançamento, em 2009, o filme volta agora a ser exibido, depois de ter sido obtido o reconhecimento internacional, somando já 6 prémios além-fronteiras. Palavras para quê?
Porque sem memória não conseguiremos compreender ou actuar no presente, muito menos imaginar e lutar por um futuro melhor, este é de facto um filme imperdível, e um trabalho notável.

Ficam o trailer, e ainda os links para uma sinopse do filme, assim como para a crítica de Luís Miguel Cintra, na Ípsilon, recomendando-se ainda a leitura dos vários artigos sobre a autora e sobre o filme na última edição da referida revista.

25 abril 2010

25 de Abril Sempre

Este post inclui o vídeo de "Evolução (1974)" dos Gazua.

Cumpre-se hoje mais um aniversário da data histórica que marcou o fim de 4 décadas de um regime ditatorial em Portugal, fruto da luta colectiva de muitos milhares de cidadãos comuns e (muitos deles) desconhecidos pelas causas da liberdade, da justiça, da igualdade e do bem comum. Muitos abdicaram das suas vidas pessoais em prol desse sonho colectivo. Muitos morreram, foram presos, torturados, ou perseguidos. Muitos vivem ainda entre nós mas não os conhecemos, não lhes agradecemos, não lhes prestamos o devido tributo, e não são notícia.

Esta luta esmoreceu com as promessas de uma miragem de democracia que não passa disso mesmo, e transformámo-nos numa sociedade em grande medida alienada, centrada no individualismo atroz, despolitizada e atolada num consumismo desenfreado e sem sentido que só alimenta o monstro. Entretanto as listas do desemprego aumentam a cada hora, assim como os dramas individuais e familiares de quem não vê (ou não tem) soluções ou alternativas – porque elas não existem mesmo – nas sociedades capitalistas globais contemporâneas.

“No Future” cantavam os Sex Pistols há 33 anos, na aurora da era do 'capitalismo casino', que é também a nossa. Quando é que aceitamos a interpelação dos Gazua e nos questionamos “O que é que estamos aqui a fazer?”. Tal como o 25 de Abril de 1974 nos mostra, a mudança só é fruto do trabalho colectivo. Sozinhos não somos nada. O caminho de saída da concha individual e da reaprendizagem de uma identidade e acção comuns, ou seja, da verdadeira humanidade, é longo e tortuoso. Mas é também urgente, para que possamos olhar em frente e ter (um) futuro (melhor). A luta continua.

Fica o meu tema preferido alusivo a esta data que não podemos esquecer, que temos de comemorar, e de uma luta que tem muito a ensinar-nos, assim nós queiramos aprender:

“Evolução (1974)” dos Gazua, uma das bandas mais interessantes e produtivas da actualidade, e com o lançamento do novo álbum, Contracultura, agendado para o próximo dia 18 de Junho em Lisboa.