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20 abril 2011

NoMeansNo: Excelente review no Ponto Alternativo



O número de blogs e websites dedicados à música (para já não falar de um sem número de outros assuntos de âmbito cultural) que existem, e que a Internet permitiu, é um tópico que se prestava a uma longa e decerto muito interessante reflexão.

Não é esse o objectivo deste post. Mas é um facto que existem muitos excelentes blogs e websites musicais, e o Ponto Alternativo é decerto um exemplo disso a nível nacional.

Entre as publicações recentes - e que são muitas - destacamos uma que pode ter passado despercebida, e que merece uma leitura atenta: trata-se de uma deliciosa review do concerto dos canadianos NoMeansNo da passada semana (13/04) em Lisboa (Galeria Zé dos Bois), da autoria de António Matos Silva. Para ler a review na íntegra clicar aqui.

Trata-se de um texto excelente, que contém a nosso ver todos os ingredientes de uma boa review: é um relato pensado, muito bem redigido, informado, que evita os tecnicismos entendiantes e o distanciamento que normalmente resulta da indiferença relativamente à música ou aos intérpretes em questão.

É um registo entusiasmado, informal, original e irreverente, de alguém que nutre um apreço visível pela banda e que viveu intensamente o espectáculo - como o espectáculo merece ser vivido. É um relato extremamente visual, mesmo impressionista, que nos dá a sensação de termos estado lá - ou  pena de não termos estado lá - ou a satisfação de, através desta review, podermos ter esta ideia vívida do que se passou, e de como foi ter estado lá. E para tal não precisamos de seguir o conselho do autor:

"(...) se quiserem sentir o que sentiu a partir dos vinte minutos de concerto e ainda se poupam do mosh. Vão à vossa casa de banho, liguem o chuveiro do vosso polibã (ou banheira ou jacuzzi), deixem a água aquecer e enfiem-se ali debaixo durante dez a quinze minutos. Ah, façam-no completamente vestidos. Depois saiam à rua e tentem sacar um beijo a uma gaja gira."

Vale mesmo a pena ler.

Ficam alguns excertos ilustrativos:

"Alimentámos durante trinta anos a esperança de ver estas lendas que, vá-se lá saber porquê, ficaram na sombra de Ramones, Motorhead e outros que tais sem lhes dever pitada de talento."
(...)
"É que os NoMeansNo são uma banda boa, uma banda a sério, que conseguem ser artsy sem soarem fartsy (que é como quem diz que têm técnica e estrutura, mas não são pretensiosos como eu, que usei esta expressão)."
(...)
"Ouviram-se três partes distintas: levámos na cara com punk de primeira ordem, rock matemático nos seus primórdios e estilhaços noise que se cravaram que nem estilhaços no nosso corpo e ouvidos."
(...)
"Rock sem merdas e sem poupanças na altura de explodir (ou rebentar?), que em certas alturas, com a polvorosa que ia no Aquário da ZDB parecia que ia implodir com toda a gente."
(...)
"Quem não esteve lá, nunca vai ter ideia de como foi. E estas suadas palavras, assumo-o aqui e agora, são uma pálida reflexão do que ali se viu: a perfeita simbiose entre três músicos, o equilíbrio perfeito entre instrumentos, vozes e som."


(Autor: António Matos Silva, em O Ponto Alternativo - 14 Abril 2011)

13 abril 2011

Johnny Throttle: Stükas Über Lisboa




Depois de uma paragem forçada, o A Crack in the Cloud regressa à actividade blogosférica, impondo-se, apesar de indubitavelmente extemporânea, uma obrigatória menção aos Johnny Throttle que, como atempadamente noticiado, regressaram a Portugal, quase um ano volvido desde a sua estreia em território nacional, para três concertos no norte, centro e sul do país.

O A Crack in the Cloud marcou presença no concerto de Lisboa, realizado a 1 de Abril, no Metropolis, e as impressões colhidas não podiam ter sido melhores, confirmando o entusiasmo e as expectativas positivas com que tínhamos recebido o EP Stükas Über Shoreditch (2009) e o subsequente 7" "Sick of Myself/Job in the City".

Não obstante o considerável atraso da actuação dos cabeças de cartaz, especialmente penoso a uma sexta-feira, e de uma escolha a nosso ver muito pouco acertada para banda de abertura (Sick Strippers), o concerto valeu bem o esforço. Pareceram 15 os cerca de 45 minutos que durou a - verdadeiramente explosiva e meteórica - actuação dos Johnny Throttle. A discografia, ainda que limitada, está recheada de temas emblemáticos, de um punk simples, directo e muito eficaz, não só no registo gravado como ao vivo, onde o impacto é exponencialmente multiplicado.

Para tal contribui não só a sonoridade poderosa como a postura da banda em palco, com particular destaque para a figura ímpar e quase indescritível de Afonso Pinto (aka Johnny Quid), que imprime uma dinâmica no mínimo sui generis ao espectáculo.



Tentar descobrir onde Afonso estava ao longo do concerto foi uma experiência reminiscente dos livros infantis "Onde Está o Wally?": desde o início, e ao longo de toda a performance, o vocalista esteve maioritariamente na plateia, lidando com um à-vontade surpreendente com a tarefa hercúlea de cantar e ziguezaguear incessantemente por entre uma plateia não só compacta como também ela bastante animada, agitada e empenhada em participar activamente na função.

Foi num ambiente verdadeirante alucinante e incendiário, marcado por uma participação muito activa de um público claramente conhecedor e apreciador da sonoridade da banda, que desfilaram - num ápice - as excelentes malhas dos Johnny Throttle, com particular para algumas das nossas favoritas - "Stükas Über Shoreditch", "Job in the City", "Public Retard", "City of Dirt", "Looking at You",...

Em suma: um excelente concerto, uma performance marcante, e cá ficamos a torcer pela afirmação dos Johnny Throttle além fronteiras e pelo seu regresso em breve a Portugal. As próximas actuações da banda estão agendadas para os próximos dias 6 e 21 de Maio e 11 de Junho (esta última com Discharge, English Dogs e Sick on the Bus), em Inglaterra.

A noite de música no Metropolis continuou, pela noite fora, com os DJs Merton (autor do blog Rock no Liceu) e Rotten.

02 março 2011

Review do concerto dos Dalai Lume no blog Billy-News


No seguimento do último post, destacamos aqui a excelente review do concerto de comemoração dos 5 anos dos Dalai Lume, por Billy, autor daquele que é sem dúvida o website nacional de referência principalmente (mas não exclusivamente) no âmbito do meio e das sonoridades punk rock (nacionais e internacionais): Billy-News.

A review dá uma ideia fiel não só daquilo que foram as actuações dos aniversariantes Dalai Lume e das bandas convidadas - Albert Fish e Capisce?, como também do âmbiente caloroso e festivo que se prolongou pela noite fora dentro e fora do Berlin Bar, sempre ao som do melhor punk rock, oferecido pelos DJs Billy e Johnny Punk em mais uma animada Lisbon's Burning Session.

Fica AQUI o link para a review na íntegra, que inclui ainda  fotos da autoria de Pedro Sumol.

10 fevereiro 2011

Review da compilação Faro Alternativo IV por Billy


Billy, autor do reputado blog musical BILLY-NEWS, publicou recentemente uma interessante e muito positiva review da compilação Faro Alternativo IV (editada no final de 2010), que inclui gravações ao vivo de algumas das bandas que participaram no evento homónimo (realizado em Outubro de 2009), organizado pela promotora e produtora musical algarvia I CAN C U, nomeadamente Capitão Fantasma, K2O3, Gazua, An X Tasy, Confront Hate e Shivers. O CD pode ser adquirido directamente através da I CAN C U (ver site no myspace ou no facebook).


Ficam alguns excertos desta excelente análise, e o link para o texto na íntegra, aqui,  cuja leitura se recomenda vivamente.

Porque recordar (especialmente eventos musicais interessantes) também é viver, vale ainda bem a pena (re)visitar o relato extremamente detalhado e mesmo impressionista do 2º dia do evento, também da autoria de Billy, disponível aqui.


Excertos da review de Faro Alternativo IV (por Billy)

"O disco arranca com "Doce Morte" de Capitão Fantasma, com um ritmo rock´n`roll bastante veloz. Logo a seguir vem "Tudo À Estalada" onde Jorge Bruto incute uma velocidade estonteante com as vocalizações que lhe são tão características (...)"

"À quinta faixa ouvem-se os Gazua, o tema "Vontade De Gritar" ganha aqui uma dimensão completamente diferente do disco original («Convocação»), com o vocalista João a puxar pelo público e o ritmo ao dobro da velocidade, com direito a interlúdio pelo meio recheado de ´slaps` de baixo (...)"

"Seguem-se os An X Tasy, banda local que ´fabricou` um dos melhores temas da ´nova geração`, "The Worst Thing" (...)"

"São mais de 41 minutos repletos de bons momentos com uma qualidade sonora bem equilibrada, bem acima da média para uma gravação ao vivo."

29 dezembro 2010

2010: um ano de muitos e bons concertos

Já sabemos que esta altura do ano se presta naturalmente a balanços, retrospectivas e antevisões...por isso mesmo aqui fica uma revista dos concertos/eventos musicais que marcaram o meu ano de 2010, com o link para a respectiva review (ou post) aqui no A Crack in the Cloud...

Janeiro

The Casualties (com PHT, Albert Fish e Simbiose), Revólver Bar (Cacilhas)




Fevereiro

Arctic Monkeys, Campo Pequeno, Lisboa


Março

Re-Censurados & Guests + DJ Billy, Music Box, Lisboa.

Excelente review do blog Billy-News para (re)ler aqui.

Abril

Tara Perdida 15 Anos, Voz do Operário, Lisboa.







Maio

Street War Fest 5 (Punk Sinatra, Gazua, Dalai Lume, etc.+DJ Billy), Academia de Linda-a-Velha.

(Actuação dos Dalai Lume)

Junho

Gazua, lançamento de Contracultura, São Jorge, Lisboa.

Festival Outsider 3 (1º dia: FPM, Barafunda Total, Mordaça, Re-Censurados; 2º Dia: Desobediência Geral, Albert Fish, Kamones e Crise Total), Casa de Lafões, Lisboa.






(Festival Outsider 3, Foto de Luís Silvério)

(Festival Outsider 3, Foto de Luís Silvério)



Julho

Punk Sinatra, Music Box, Lisboa.



Agosto

Concerto em Beja, com Sordid Sight, etc.



Setembro

Festa de Tributo a João Ribas com DJ Billy+ DJ Merton, Bar Copenhagen, Lisboa



Outubro

More Than a Thousand, Recepção ao Caloiro (Beja).

Novembro

GBH, Tour de Perfume & Piss, Melkweg/Sugar Factory, Amesterdão.

Máscara, lançamento do EP Mata Mas Não Mói, Galeria do Desassossego, Beja.

Punk Sinatra+ Kamones+DJ Billy, In Live Caffé, Moita.



(GBH em Amesterdão)




Dezembro

Re-Censurados e R12, Side-B, Benavente.

Ventas de Exterko, Metalarium, Badajoz.

Gazua acústico, Kompacto, Benfica.





09 dezembro 2010

Ventas de Exterko: grande noite de punk rock além fronteiras

Fotos gentilmente cedidas ao A Crack in the Cloud pelo seu autor, Fábio Dias.

Este post inclui o vídeo de "Vítimas do Sistema", interpretado pelos VE no Bar Metalarium em Badajoz, captado e editado por João Miguel Silva.

(Ventas de Exterko, por Fábio Dias)

Diz o adágio popular que depois da tempestade vem a bonança, e o dito parece assentar na perfeição ao regresso dos Ventas de Exterko (VE) aos palcos, com nova formação e depois de um período conturbado do percurso da banda, motivado pela saída do vocalista e guitarrista Leo.

O regresso não podia, na nossa opinião, ter corrido melhor, com a performance enérgica, consistente e verdadeiramente contagiante que os Ventas de Exterko ofereceram na passada terça-feira no Bar Metalarium, em Badajoz, Espanha, e que não deixou ninguém indiferente.

Os Ventas de Exterko, cabeças de cartaz, foram antecedidos da actuação animada de uma muito jovem banda de rock local, com o sugestivo nome de Sanatorio de Muñecos, que aqueceu o ambiente e foi decerto responsável pela presença de muitos jovens no local, que corresponderam com entusiasmo - e algum mosh - à sonoridade punk/hardcore dos rapazes do Exterko: Roza (voz e baixo), Fava (bateria e voz) e Tuga (guitarra e voz).

A prestação dos VE destacou-se por uma segurança e descontracção que nos surpreenderam pelo facto de se tratar da estreia da nova formação, e particularmente do novo vocalista (e baixista), Roza. Esta constituiu, na verdade, a principal razão da nossa presença no local, e merece por isso particular menção.

Não obstante as qualidades do anterior vocalista, e do receio que tínhamos relativamente à sua substituição, foi com bastante agrado que constatámos a adequação da voz de Roza não só à sonoridade como também à lógica - de furor e combatividade -  que caracteriza o projecto VE.


(Roza, por Fábio Dias)


Não pudemos também deixar de apreciar a sua postura extrovertida, enérgica e muito irreverente (mesmo algo lunática, na acepção positiva do termo), responsável por uma constante interactividade com o público, iminentemente espanhol, que a soube apreciar, correspondendo com entusiasmo.

Estas qualidades de Roza contribuem sem dúvida também para uma postura algo diferente deste colectivo, marcada por uma maior descontracção, irreverência e vivacidade.

De destacar igualmente a presença sempre marcante de Fava, membro fundador, principal impulsionador e incontestável frontman desta que é uma das muito poucas bandas de punk rock da região.


(Fava por Fábio Dias)

Apesar dos melhores esforços de Tuga  notou-se a falta de uma guitarra, deficiência que sabemos estar prestes a ser colmatada com a integração próxima de um guitarrista adicional, cuja identidade a banda promete revelar a muito breve trecho.


(Tuga, por Fábio Dias)

Quanto ao alinhamento, os Ventas de Exterko iniciaram com uma breve intro instrumental, para arrancarem depois em grande pujança com "Caos em Portugal", indubitavelmente um dos temas mais fortes da banda, a que 'colaram' o igualmente marcante "Ergue a tua Voz", set que agarrou de imediato o público. Sem dar tréguas, continuaram com o excelente "Vítimas do Sistema", seguido de dois temas novos, "Isso não vai mudar" e "Ódio & Amargura", que obtiveram uma boa recepção.

"Nós Por Cá" foi mais um tema muito bem conseguido e entusiasticamente recebido, não só devido à sua popular temática ("Quero ver confusão, malta animada, cerveja na mão"), como também à interpelação vigorosa do vocalista Roza. Seguiram-se-lhe "Lobisomem" e mais dois temas novos, o instrumental "X", com um pendor predominante metálico, e por isso diferente da linha principal da sonoridade dos VE, e "Olhar Incerto".

A actuação dos VE entrou na recta final com mais dois temas fortes - e sempre a abrir - da banda:  "Os Porcos Chegaram para Ficar" e "Pode ser que se Fodam". O público, visivelmente satisfeito mas ávido pediu mais, e os amigos e companheiros portugueses presentes exigiram "Zé" (deixa 'tar que o primo tem), que teria terminado da melhor forma a actuação desta banda punk alentejana, não fosse a insistência do público, que não deu tréguas a uns Ventas que acusavam já algum cansaço.

Depois de alguma confusão e reticências, o vocalista Roza anuncia a repetição do tema de abertura "Caos em Portugal", desta feita dedicado à cidade onde se encontravam, Badajoz, e interpretado (pelo menos parcialmente) em castelhano. Apesar do carácter improvisado da interpretação, o público local acolheu-o (naturalmente) com muito entusiasmo, e foi em verdadeiro clima de festa que terminou esta  memorável actuação dos Ventas de Exterko além fronteiras.

(Ventas de Exterko & friends, por Fábio Dias)

Fica aqui  então, com nota muito positiva, assinalada esta performance dos Ventas de Exterko, que têm já vários projectos e concertos agendados para 2011. Fazemos igualmente votos de que a banda tenha uma maior receptividade e marque presença em eventos de punk rock, sendo que até aqui o projecto tem (estranhamente?)  tido especialmente atenção e bom acolhimento no meio metálico.

02 dezembro 2010

R12 e Re-Censurados no Side B

Fotos de Diana Rosa.

(Foto: Diana Rosa)

Tal como anteriormente mencionado, o A Crack in the Cloud esteve presente no concerto que juntou os R12 e os Re-Censurados no Bar Side B, em Benavente, na passada sexta-feira 26 de Novembro, deixando aqui, ainda que um pouco extemporaneamente, um registo das excelentes impressões colhidas.

O local do concerto merece algumas palavras de apreço: é amplo, simpático, bem equipado, tem boas condições sonoras e está localizado a uma curta distância de Lisboa. Igualmente digno de reparo é o cartaz musical deste espaço, não só muito preenchido, como iminentementente 'alternativo', a indiciar a aposta sempre louvável na divulgação destas sonoridades por parte dos seus responsáveis.

Duas razões principais motivaram a minha presença no local. Por um lado, o desejo de voltar a ver e a ouvir os R12, uma das bandas que maior impacto me causaram aquando do inesquecível Festival Outsider 2 (em Outubro de 2009), e cujo 1º trabalho, Boletim Agrário, é (na minha modesta opinião) digno de referência no contexto da produção musical nacional dos últimos anos. O facto deste trabalho ter sido eleito como o melhor de 2008 pelos atentos leitores do blog Billy-News é um indicador relevante da sua qualidade.

Por outro lado, e depois de ter tido a oportunidade de assistir a várias actuações dos Re-Censurados, banda de tributo aos míticos e sempre presentes Censurados, tinha uma grande expectativa quanto à nova composição da banda, nomeadamente a entrada de Covas (Sicksin, ex-Dalai Lume) como vocalista.


(Foto: Diana Rosa)

Os R12 abriram as hostilidades por volta das 23.30h e, perante uma plateia bastante composta e animada, ofereram uma prestação descontraída mas muito segura e bem coordenada, pautada pela animação e irreverência que lhes são características, intercalando temas do supramencionado LP, do EP Não Vais Ficar Parado (2010), e ainda do novo EP, que os R12 estão neste momento a gravar, com lançamento previsto para o início de 2011.

Não obstante o visível entusiasmo com que os temas mais fortes (ou melhor conhecidos) da banda foram recebidos ("Alfredo", "Punk Agricultor", "Anti Fash" ou "Sindicato"), também os temas novos apresentados "Olhar e Ver", "Tudo foi em Vão" e "E Digo que Sim" mereceram um acolhimento positivo do público e revelaram a multiplicidade de influências presentes na sonoridade muito própria dos R12.

(Foto: Diana Rosa)

Infelizmente o tempo disponível esgotou-se rapidamente e não permitiu que os R12 fizessem o previsto encore, que incluía o excelente "Ka-va-ku" e uma cover de "Nasci Hoje" dos Tara Perdida (ver setlist abaixo). Lembre-se que os R12 disponibilizaram recentemente os seus dois trabalhos para download gratuito nos seus sites do myspace e do facebook.

(Foto: Diana Rosa)

Seguiram-se-lhes os Re-Censurados, que de muito bom grado chamam a si a tarefa nada fácil mas muito honrosa de manter um pouco mais viva a chama perene daquela que muitos consideram ser a melhor banda portuguesa de todos dos tempos. Impõe-se desde logo referir a rápida e excelente integração do novo vocalista, João Covas, no colectivo, e de destacar não só a sua performance (voz e guitarra) como os seus excelentes dotes de comunicador e mestre de cerimónias.

A actuação dos Re-Censurados foi marcada por uma óptima coesão e principalmente por muito boa disposição e cumplicidade entre os vários elementos da banda, assim como por uma grande interacção e proximidade com o público, em grande medida potenciada pelas características do novo vocalista, já mencionadas. Um a um, foram desfilando dessasseis temas incontornáveis da discografia dos míticos Censurados, com uma participação entusiástica do público que pedia e tentava adivinhar o tema seguinte e cantava em plenos pulmões não só os refrões como as letras na íntegra.

No final da actuação, e sem conseguir dar resposta a todos os pedidos formulados por este público exigente, houve direito a encore - com a repetição do hino "Censurados" e de "Confusão" - cantado pelos membros do público e também dos R12, convidados a subir ao palco por Covas. Foi sem dúvida um momento inesperado e especial do concerto.

Algo impressionante, e sem dúvida digno de registo, foi ver um jovem membro do público (o Ricardo, de Almada) no palco, a cantar com muito entusiasmo - e  sem falhas nem hesitações - o "Confusão", da primeira à última palavra, como se de um hit do momento se tratasse. Este pequeno grande pormenor é revelador da imensa popularidade que os Censurados continuam a ter, não só junto de um público mais maduro que os conheceu e acompanhou, como - e particularmente - junto das gerações mais jovens.

Em suma, valeu bem a pena ir a Benavente na passada sexta-feira. Quem não esteve lá  terá uma nova oportunidade de ver estas duas excelentes bandas nacionais já no próximo dia 10 de Dezembro na Discoteca Bite Me em Alhos Vedros. Fica a recomendação.

Ficam as SETLISTS dos concertos, gentilmente cedidas pelas bandas ao A Crack in the Cloud.

R12: Revolução, Outro Lugar; Alfredo, Olhar e Ver, Guerra Sagrada, Punk Agricultor, Não Vou Parar, Tudo Foi em Vão, A Tua Revolta, E Digo Que Sim, Anti-Fash, 100 Palavras, Sindicato.

Re-Censurados: Censurados, Venenosa, Confusão, Sentado ao Balcão, Srs Políticos, Não, Alecrim, É Difícil, Kaga na Cultura, Angústia, Animais, Não Vales Nada, Tu Ó Bófia, Amigo, Coxa, Enquanto a Noite Cai + Encore.

Ficam ainda dois vídeos captados pela equipa da revista Outsider, presente no evento.



17 novembro 2010

Máscara: lançamento do EP "Mata mas não Mói"



O A Crack in the Cloud esteve presente no lançamento do 1º EP da banda bejense Máscara, que teve lugar no passado sábado na Galeria do Desassossego, em Beja.

Ao tentar colocar no papel as impressões do evento concluímos que elas em grande medida repetiam  o que anteriormente aqui se referiu no decurso da actuação da banda naquele mesmo espaço em Abril passado. Optamos por isso por indicar o link para essa review.


Relativamente ao evento em questão, e de forma sumária,  diremos apenas que o lançamento deste trabalho, intitulado Mata Mas Não Mói, dificilmente poderia ter corrido melhor, e que os Máscara têm amplas razões para estar satisfeitos com o acontecimento, e - tendo em conta os concertos já agendados para o futuro próximo - com os visíveis resultados e  feedback positivo do seu trabalho - algo de que muitas bandas congéneres não se podem gabar.


 
O espaço estava literalmente apinhado, e se muitos eram os amigos e conhecidos da banda, estes não constituíam decerto a sua totalidade, sendo o público bastante heterogéneo, como é (agradável) apanágio deste local.

De referir também a presença de diversos músicos locais, entre os quais se contavam Aresta e João Franco dos Ho Chi Minh, Marco, vocalista dos Sordid Sight, e Paulo Colaço (ex-Adiafa).

O bom acolhimento da performance e da música dos Máscara foi inequívoco, e a sua prestação, como habitualmente, irrepreensível, visivelmente fruto de um aturado trabalho de preparação.


 
A actuação durou aproximadamente 1 hora, e incluiu 10 temas (ver setlist abaixo), o que mostra o volume de material já produzido pela banda, e que permite, a nosso ver, vislumbrar a edição de um LP a muito breve trecho...fazemos votos para que assim seja.


Tomamos a liberdade de destacar dois temas da nossa preferência, e talvez os mais fortes e marcantes deste EP, nomeadamente "Mata Mas Não Mói" e "Lixo Emocional", assinalando também como agradável surpresa deste concerto (não só em termos musicais) o recente "Ditador" (não incluído no EP).


Finalmente, não podemos deixar de referir a segurança, à-vontade, coordenação e harmonia dos elementos deste colectivo, revelando mais uma vez uma assinalável evolução relativamente a prestações a que anteriormente assistimos.


Tivemos também já oportunidade de ouvir atentamente o EP, e de colher impressões bastante positivas, das quais daremos conta posteriormente.

SETLIST

Intro+ Máscara
Mata Mas Não Mói
Espelhos
Cardinal
Piratas
Lixo Emocional
Instrumentalia
-------------------------
Asas
Fobia
Ditador

08 novembro 2010

Billy-News: Review do concerto dos Gazua no Music Box

(Foto: Nuno Martins,

O destaque de hoje do A Crack in the Cloud vai para a excelente review do concerto dos Gazua no Music Box na passada quinta-feira, da autoria de Billy, e publicada hoje no seu blog Billy-news, que nos dá uma imagem muito viva da actuação dos Primata Robot, de mais uma excelente e sempre original performance dos Gazua, assim como do ambiente acalorado e festivo que se viveu no Music Box, e para o qual o próprio Billy contribuiu, com mais uma das suas DJ sessions.

A review está acompanhada de excelentes fotos, da autoria de Nuno Martins. Para ler na íntegra aqui.

Ficam alguns excertos representativos:

"(...) foi uma noite bem agitada, bastante animada com muita gente a não querer perder mais uma excelente actuação da banda lisboeta."
 
"Pelas 00h45 entram os Gazua em palco. Aliás, não foi exactamente em palco mas sim no meio da multidão que já enchia quase completamente o Musicbox (...)"

"Percorrem temas dos três discos com uma ligeireza e ao mesmo tempo com uma segurança a que raramente assistimos hoje me dia."

"Sempre excelente é ouvir "Morreu O Coveiro" com Paulinho a cantar o tema numa pose a fazer lembrar Lemmy dos Motörhead (...)"

"A banda termina com uma ´chuva` de aplausos, mais que merecidos. Os Gazua não deixam ninguém indiferente, desde a primeira fila até lá atrás, mesmo ao fundo da sala."

"Já era tarde, mas mesmo numa Quinta-feira (nesse momento, já Sexta) o público decidiu não arredar pé e ainda quiseram ouvir bastantes temas de música portuguesa na excelente aparelhagem sonora do Musicbox."

"Ainda se pulou, dançou e gritou bem alto que a música nacional é muito boa e que ´mexe` com muita gente!"

(Review da autoria de Billy, autor do blog Billy-News e DJ).

02 novembro 2010

Destaque da Semana: Gazua em concerto



Para contrariar o deserto de concertos que tem marcado os últimos tempos, esta semana há dose dupla de GAZUA, uma das bandas nacionais mais profícuas da actualidade, acompanhados pelos Primata Robot (dia 4) e pelos Ex Votos (dia 6). Ainda por cima, com a participação de DJ Billy, o que garante à partida noites recheadas do melhor do punk rock português e internacional.

É razão suficiente para darmos o devido destaque a estes concertos, que antecedem uma tournée de divulgação do novo trabalho dos Gazua, Contracultura, que ocorrerá no início de 2011, com concertos de norte a sul do país.

Deixamos aqui também alguns links para artigos sobre os Gazua:

1. Entrevista recente realizada pelo blog Billy-News a João Morais, vocalista dos Gazua;

2. Entrevista do A Crack in the Cloud a João Morais por ocasião do lançamento de Contracultura:

3. Análise de Contracultura, o último trabalho dos Gazua;

4. Reportagem do lançamento de Contracultura;

E por fim, fica um vídeo com excertos da festa de lançamento deste último trabalho dos Gazua, que teve lugar em Junho passado, assim como o vídeo teaser do concerto do próximo dia 4 de Novembro no Musicbox.


03 julho 2010

Punk Sinatra: o monstro acordou e está imparável



Quem, como o A Crack in the Cloud, esteve na passada quinta-feira no Music Box pôde testemunhar que o monstro de facto acordou, está bem vivo, ataca, contra-ataca e não deixa ninguém indiferente.

Os Punk Sinatra ofereceram uma prestação verdadeiramente estonteante, de cortar a respiração, que revelou – em todo o seu esplendor – não só a qualidade do seu álbum de originais, Ataca Contrataca O Monstro Acordou, mas também a coesão e elevado nível da performance colectiva.

Antecipados de uma animada Billy session e também das óptimas prestações de Brent e Dalmation, percebeu-se desde o primeiro minuto que nada nos podia ter preparado para o estava para vir…



Numa entrevista recente, os Punk Sinatra descreveram a sua música como “abrasiva”. Abrasivo e inflamado foi também o espectáculo que a banda proporcionou anteontem no Music Box, com a apresentação dos excelentes temas que compõem este Ataca Contrataca o Monstro Acordou, disponível integral e gratuitamente no site da banda no myspace, dos quais destacamos, por pura preferência pessoal, os contagiantes “Andas por Aí” e “Anti Anti”, os poderosíssimos “Estado de Sítio”, “Caminhar para o Zero” e “3º Mundo” ou o vertiginoso “Espírit’ de Subúrbio”.

De destacar ainda a prestação quase inenarrável, mas indiscutivelmente brilhante, de João Pedro Almendra, vocalista dos Punk Sinatra (e também dos Peste & Sida). Fiel à sua convicção de que "o punk é levantar a voz",  mais uma vez mostrou bem o monstro (de palco) que é, de uma intensidade dramática e uma entrega incondicional, ímpares no panorama nacional e raras na cena internacional, vagamente reminiscentes da expressividade de Jello Biafra ou da sensualidade felínica de Iggy Pop.



(Punk Sinatra no DI Box, Arruda dos Vinhos, em 21/05
Foto de Miguel Pinto, disponível aqui.)

Num país onde o trabalho é desprezado, desvalorizado e escandalosamente mal pago (já não há de facto paciência!), é de facto admirável que músicos (e tantos outros profissionais) como os Punk Sinatra persistam em produzir com este elevado nível e qualidade.

Contudo, e sem dúvida paradoxalmente, a música dos Punk Sinatra (assim como de bandas congéneres) resulta exactamente da vivência neste atoleiro que Portugal historicamente tem sido (e permanece) e num mundo contemporâneo inequivocamente marcado por uma regressão civilizacional, consequência directa e inevitável de um sistema económico essencialmente canibalístico.

“Não queremos mais heróis/Já não temos ilusões” (…) “Devemos obediência à burla e à fraude” (…) Quem paga o preço desta recessão / são aqueles que não ganham para o pão”
(“Mundo Rafeiro”)

É esta consciência exacerbada da contemporaneidade, o desencanto, a frustração, mas principalmente o inconformismo e a revolta perante o que os próprios designam como “Estado de Sítio” que estão impressas na música abrasiva, nas letras corrosivas e nas prestações inflamadas e marcantes dos Punk Sinatra.

"Não te iludas/há que respeitar/há que marcar pela diferença/e há que parar para pensar"
(Anti Anti)

Podemos estar a caminhar para o zero mas, com a sua música, os Punk Sinatra contrariam inquestionavelmente essa tendência. "Será que vês o que eu vejo?" perguntam-nos em "Nunca há Paciência". Sim, vemos, e isso faz com que  melhor apreciemos este trabalho e o seu projecto, não apenas em termos musicais mas conceptuais.


Para acompanhar as novidades sobre os Punk Sinatra, aqui fica o link para o site da banda no myspace:
http://www.myspace.com/punksinatraband

Recomenda-se ainda a excelente entrevista à banda feita pelo blog Billy-News, disponível em
 
...assim como a (igualmente excelente) entrevista a João Pedro Almendra feita pela jornalista Helena Durães, e cedida ao Billy-News, disponível em
http://billy-news.blogspot.com/2010/03/joao-pedro-almendra-o-punk-e-levantar.html#comments

E por fim fica o vídeo de "Nunca Há Paciência".


NUNCA HÁ PACIÊNCIA

PUNKSINATRA | Vídeos de Música do MySpace

24 junho 2010

Festa de Lançamento de Contracultura (GAZUA): Foto-reportagem

Fotos dos Gazua da autoria de José Dinis.


A festa de lançamento de Contracultura, o terceiro álbum de originais dos Gazua, dificilmente podia ter sido melhor e constituirá decerto, pelo menos para os presentes, um dos acontecimentos musicais de 2010.

A noite estava esplêndida, e o ambiente no arejado, moderno e descontraído lounge do cinema São Jorge era de alegria e convivialidade.

A partir das 23h, e a antecipar a performance dos Gazua, o DJ Billy deu início à sua sessão, com uma selecção musical muito diversificada e num registo relativamente calmo. Da semi-obscuridade da sala destacava-se o admirável cenário da autoria de João Morais. A sala foi-se gradualmente enchendo e estava já bastante composta quando, por volta das 23.40h, se percebeu que o espectáculo estava prestes a começar.


A música ambiente cessou, dando lugar a uma interessante peça da autoria do DJ Billy que funcionou na perfeição como introdução à entrada dos Gazua. A peça consistiu numa sequência de trechos de músicos/bandas que primaram (ou primam) por uma postura/mensagem oposicional ou contracultural (tais como como Patti Smith, Dead Kennedys, Censurados, 77, Carlos Paredes/Miguel Leiria e R12), intercalados por estática de rádio, e criou eficazmente um ambiente de concentração e expectativa, estando ainda em total sintonia com o espírito desta banda.


Foi no final desta peça, e sob os aplausos da assistência, que o power trio João ‘Corrosão’, Paulinho e Corvo entrou em palco, e deu início ao que viria ser a segunda surpresa da noite (a primeira fora, sem dúvida, a original peça de DJ Billy): um texto de João Morais, “Até Quando Vamos Esperar”, declamado pelo próprio, com fundo instrumental (bateria e baixo), num registo poético mas simultaneamente de interpelação social e política, em consonância com as ideias orientadoras deste Contracultura.


Foi de facto um dos momentos marcantes do espectáculo, que continuou, em crescendo, com as novas faixas “Casa dos Fantasmas”, “Perigo Eminente” e “Preocupa-te”. De referir a adesão imediata e resposta entusiástica do público, em grande parte conhecedor da discografia dos Gazua (incluindo os temas do novo trabalho já disponíveis no site da banda no myspace).

Seguiram-se “Ouvi Falar de Ti”, “Reescrever a História”, “Revolta” e “Sair da Escuridão”.



Foi com alguma surpresa que testemunhámos a aceitação quase imediata e a resposta francamente positiva ao excelente mas bastante experimental e algo sui generis “Chamando Urano”, o que indicia uma flexibilidade e eclectismo crescentes por parte do público musical. Seguiram-se-lhe “A Mudança Que Queres Ver”, sem dúvida um dos temas fortes do novo trabalho, e “Ela era Agonia”.




“Morreu o coveiro”, a faixa de punk rock simples e límpido interpretada pelo baixista Paulinho foi também visivelmente apreciada pelo público, que a recebeu com entusiasmo e bastante efusão.


Nova surpresa estava reservada com o tema “Queremos a Música de Volta”, em que o trecho “temos de experimentar coisas novas” foi seguido de uma inesperada performance dramática de Andrea Inocêncio, intitulada "33 Crucificação-Acção",  uma figura feminina crucificada entra em cena, desperta de um sono profundo e, parcialmente desnudada, liberta-se das cordas que a aprisionam, descendo do palco e colocando-se no meio da assistência que (decerto após alguma orientação) começa a escrever no seu corpo.

De leitura pouco óbvia, este inesperado happening causou impacto, impressionou pela atitude de abnegação e de entrega incondicional aos outros, eficazmente dramatizada pela actriz/performer,   e constituiu sem dúvida mais um elemento distintivo deste espectáculo dos Gazua. Contudo, talvez tenha pecado pela duração excessiva e por desviar a atenção do público daquele que era o foco central do evento, ou seja, a actuação da banda.


Decorrida cerca de 1 hora, e depois de “Vontade de Gritar” e “Para Todos”, dois dos temas mais fortes da banda, entusiasticamente recebidos (e correspondidos) pelo público, o espectáculo terminou da melhor forma, com o emblemático “Fazia Tudo Outra Vez”.


A festa continuou no lounge do São Jorge, com uma animada sessão de punk rock preparada pelo DJ Billy, e com os membros dos Gazua, muitos dos seus amigos e fãs em alegre confraternização, e só acabou mesmo (a contragosto) por volta das 2 da manhã, com o encerramento do espaço.


Os Gazua estão de facto de parabéns, em primeiro lugar pela produção de um novo trabalho de alto nível, e também pelo sucesso desta original festa de lançamento, criteriosamente pensada e preparada e generosamente oferecida a todos os que nela quiseram e escolheram participar.

Fica o vídeo de "Fazia tudo outra vez" enquanto esperamos pelos registos do novo trabalho...
 


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